sábado, 8 de fevereiro de 2014

 BRASIL: RJ: DUQUE DE CAXIAS:
 Fazenda São Bento: Casa Grande e Capela Nossa Senhora do Rosário - 
Farm of Saint Benedict: Manor and Church of Our Lady of Rosary

1 – Localização:
Município de Duque de Caxias, 2º. Distrito, São Bento, Rua Benjamin da Rocha Junior, s/nº (-22°43'27", -43°18'30")
2 – Histórico:
Em 1565 o Ouvidor-mor Cristóvão Monteiro recebeu a sesmaria de Aguassu (Iguaçú), às margens do rio Iguaçu, instalando aí a fazenda Aguassú, que foi o marco inicial da colonização no Vale do Rio Iguaçú. Em 1591, Jorge Ferreira doou aos beneditinos uma ilha no Rio Iguassú e mais trezentas braças pelo sertão adentro. Em 1596 a marquesa Ferreira, filha de Jorge Ferreira e viúva do Ouvidor-mor Cristóvão Monteiro, também doou terras, com fazenda, uma roça e pomares. A fazenda dava início ao processo de colonização do Vale do Rio Iguaçú. O primeiro engenho da fazenda, construído em 1611, funcionou ininterruptamente por trinta e cinco anos e sua produção era enviada para o Reino. A atividade econômica que incentivou a ocupação da região foi a do cultivo da cana-de-açúcar, mas com a fundação dos engenhos de Campos, Camorim e Vargem Pequena, em terras mais produtivas e que exigiam menor aplicação de recursos em trabalhos de infraestrutura, o engenho de Iguaçu foi se tornando obsoleto e anti-econômico. Mais tarde seria desativado. Com o abandono dos canaviais, as terras de São Bento passaram a ser utilizadas, durante algum tempo, como pasto. Cerca de 1686 foi criada a Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, passando a Capela de Nossa Senhora do Rosário a lhe ser dependente.
Já no início do século XVIII, foram diversificadas suas atividades passando a haver ali uma promissora lavoura de mandioca para a produção de farinha. O milho, o feijão, a farinha de mandioca e o arroz tornaram-se, também, importantes produtos durante esse período e abasteceram a cidade do Rio de Janeiro, assim como a lenha retirada da região. Desde os primeiros tempos, a olaria de Iguassú forneceu tijolos, ladrilhos e telhas para as obras da própria fazenda e, principalmente, para a construção do mosteiro do Rio de Janeiro. Embarcações grandes e pequenas conduziram o produto da olaria até aos cais de São Bento. O mosteiro ofereceu tijolos e telhas para a construção do grande quartel das tropas da cidade do Rio de Janeiro. Quando da invasão francesa de 1711, a fazenda ofereceu todo o mantimento de carne, farinha e feijão para o sustento dos fugitivos da cidade do Rio de Janeiro e que vieram acampar nas terras de Iguassú. Dias após a invasão, chegou, sob o comando do governador de Minas, Antônio de Albuquerque, uma tropa com 6.000 homens em armas. Todos ficaram alojados na fazenda e em terras adjacentes que seriam mais tarde a Vila de Iguassú, e terras da Fazenda do Brejo, hoje Belford Roxo. No século XVIII, as terras passaram para as mãos da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, subordinada à Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú.
Um novo engenho, movimentado por animais, seria inaugurado em 1870 e teria como finalidade aumentar a produção de farinha. O terreno foi desapropriado em 1921 para sediar uma colônia agrícola. Em 1932, quando pertenciam ao governo federal, parte das terras da fazenda foram incorporadas aos projetos varguistas para a colonização da região. Lá, o governo instalou o Núcleo Colonial de São Bento e incentivou sua ocupação por migrantes das mais variadas regiões do Brasil.
A capela foi erguida entre 1645 e 1648 pelos primeiros monges beneditinos e recebeu os nomes de Nossa Senhora da Purificação, da Candelária ou das Candeias. Com a criação da Irmandade do Rosário dos Pretos, passou a ser denominada Nossa Senhora do Rosário de Iguaçú. Mesmo com essa denominação, é identificada como Igreja de São Bento. A Imagem da capela de Nossa Senhora do Rosário é atribuída a Simão da Cunha e data de 1761. Era subordinada à Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga.
“Passando mais adiante, & seguindo as margens do Rio Guaguasù [Iguaçu], se vè o Santuário, & Casa de nossa Senhora do Rosario. Está este Santuario em huma fazenda dos Religiosos filhos do Patriarca São Bento, & esta Igreja fundou hum Religioso da mesma Ordem Benedictina, pessoa entre os seus Religiosos grave, & de grande respeyto, que seria Prelado da mesma Ordem, & venerável por letras, & virtudes, & depois dos seus governos como verdadeyro Monge se retiraria àquella fazenda, & mandaria fazer aquella Casa, que dedicou á Senhora do Rosario, de quem era devoto, & para que todos a buscassem lhe levantaria aquella Casa, aonde se ocupava em a louvar, & servir em quanto viveo. Alli se vão a encomendar á Mãy de Deos os moradores vesinhos. Esta Senhora está colocada no Altar mòr da sua Capella, & he de escultura de madeyra.” (Santa Maria, 1722, Tomo X, Livro III, Título XXXXIX, pg. 204-205)
“De N. Sra. do Rosario, na Fazenda do Mosteiro de S. Bento. Por quem, em que ano fosse ereta, ignorei.... Acha-se asseada, e bem paramentada. Tem Pia Batismal [...]; e na mesma Capela se enterram os cadáveres por faculdade do mesmo Pároco. Dista da Matriz para o Nascente 3 leguas [20km] (Araújo, 1794)
“De N. Senhora do Rosario, fundada na Fazenda dos Padres Benedictinos por um Religioso da mesma Ordem, cujo nome ignorou, ou calou o Padre Santa Maria , tratando d'ella no Santuário Marianno [...] Ahi se conserva uma Pia Baptismal , por concessaõ do Ordinário.” (Araújo, 1820, vol. 3, pg. 165)
Em 1993, a capela desabou; posteriormente foi reformada e encontra-se em bom estado. A capela é subordinada à Diocese de Duque de Caxias. Nossa Senhora do Rosário é comemorada a 7 de outubro.
O arquiteto da fazenda foi frei Manoel do Rosário, que no período de 1660 a 1663 construiu o Engenho de Iguassú, e que fez de sobrado as casas de vivenda. Foi, no entanto, o frei Manuel do Espírito Santo que tomou a resolução de construir uma casa grande nova, anexa à capela, em forma de mosteiro, com pátio, entre 1754 e 1757. O convento serviu para abrigar padres em descanso ou afastados do sacerdócio.
3 – Descrição:
         A capela apresenta uma orientação geral norte-sul e frente virada para norte, com maior comprimento no sentido ântero-posterior. O telhado é em telhas e duas águas. A parede da frente apresenta frontão triangular encimado por uma cruz, com uma porta no primeiro andar de verga reta e duas janelas no segundo de verga ligeiramente curva, e uma torre sineira delgada com dois sinos à direita e tendo no alto um pináculo à direita e à esquerda. A parede direita apresenta três janelas no segundo andar da nave e uma janela no primeiro andar da capela maior, que é mais recuada que a nave. A parede posterior não tem aberturas e o lado esquerdo apresenta uma porta no primeiro andar e uma janela no segundo andar, na capela-mor; o lado esquerdo da nave é contíguo à Casa Grande da fazenda. Não consegui acesso ao interior, mas em fotos se vê um piso decorado, um arco cruzeiro e uma capela-mor, com uma pintura no local do altar-mor. Possuía uma bela imagem de Nossa Senhora do rosário, datada de 1761, além de Santa Gertrudes (sec. XVIII) e São Bento (sec. XVIII). Faz parte do acervo um lavabo de pedra do século XVII, duas pias de água benta do século XVII, um fragmento de mesa do altar de madeira policroma do século XVIII e 3 fragmentos de sacrário de madeira entalhada e policromada do século XIX.
         A Casa Grande da fazenda apresenta uma orientação geral norte-sul e frente virada para norte. O telhado é em telhas e duas águas. A casa tem a forma de um L deitado com maior comprimento no sentido transverso (frente) e o lado menor formando o lado esquerdo. Tem sua parede direita colada à da nave da igreja. O teto é quatro águas. A casa é provida de alpendres e o varandão é o que há de mais atrativo na casa grande da fazenda. A sua parede da frente apresenta no primeiro andar três portas e seis óculos e no segundo andar duas portas em cada extremo, dando para uma varandinha, e seis janelas no meio, todas de verga ligeiramente curva. A parede lateral esquerda é a mais bela com um amplo varandão nos dois andares com colunas. No primeiro andar, oito arcos formam a varanda, no segundo andar existe uma coluna circular com beiral corrido e simples, muito bem acabado, em cima de cada pilar do arco do primeiro andar, formando nova varanda. A parede posterior em forma de L apresenta uma varanda no primeiro andar com várias portas e várias janelas no segundo. Atualmente a Casa grande está em estado precário, apoiada por escoras de madeira. O piso do segundo andar (interior) não existe mais.
4 – Visitação:
         No horário comercial pode-se visitar o lado exterior do casarão e da igreja. Tel. 2653-7681
5 – Bibliografia:
- SANTA MARIA, Agostinho de. Santuário Mariano. Tomo X, Lisboa: Oficina de Antonio Pedrozo Galram, 1722
- ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Visitas Pastorais de Monsenhor Pizarro ao recôncavo do Rio de Janeiro. Arquivo da Cúria e da Mitra do Rio de Janeiro (ACMRJ), Rio de Janeiro, 1794.
- ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias anexas à Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil, vol. 2. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1820.
- ANDRADE, E.R., et al. A História da Baixada Fluminense. O Mosteiro de São Bento. S/d.
- Revista Pilares da História, III, nº 4, 2004, pg, 55 e 56

- Revista Pilares da Historia, IX, nº 10, 2010

Farm of Saint Benedict: Manor and Church of Our Lady of Rosário: Brazil, State of Rio de Janeiro, City of Duque de Caxias
          The farm of Saint Benedict was built in the period 1660-1663 as the Farm Iguassú. There it was first cultivated sugarcane, but, since the eighteenth century maiz, beans, manioc flour and rice were planted. From earliest times, the Farm Iguassú provided bricks and tiles for the construction of the farm and the monastery of St. Benedict of Rio de Janeiro. In the eighteenth century, the lands passed into the hands of the brotherhood of Our Lady of the Rosary of Black Men, subject to the Church of Our Lady of Mercy of Iguassú. The engine was being gradually turn off. The land was expropriated in 1921 to host an agricultural colony. The chapel was built between 1645 and 1648 by the first Benedictine monks as Our Lady of Candeias. With the creation of the Brotherhood of Rosary of the Blacks, its name was changed to Our Lady of the Rosary of Iguassú. The main house was built between 1754 and 1757 attached to the chapel, with the shape of a monastery with courtyard.

Imagem Google Earth
Imagem Google Earth. Detalhe

Capela. Frente  (foto do autor)
Capela. Frente  (foto do autor)
Capela. Frente  (foto do autor)
Capela. Frente (foto do autor)
Capela. Frente (foto do autor)
Capela. Lado esquerdo e fundos (foto do autor)
Capela. Lado direito e fundos (foto do autor)
Capela. Lado direito e fundos (foto do autor)
Capela. Lado direito (foto do autor)
Nave e capela-mor
Nossa Senhora do Rosário, 1761
São Bento, 1654
Capela e Casa Grande. fachada anterior (foto do autor)
Casa Grande à esquerda e a capela à direita. Fachada anterior  (foto do autor)
Casa Grande. Fachada anterior (foto do autor)
Casa Grande, fachada anterior  (foto do autor)
Casa Grande. Fachada anterior  (foto do autor)
Casa Grande. Fachada anterior, vista de lado (foto do autor)
Casa Grande, lado esquerdo
Casa Grande, lado esquerdo, década de 1910
Casa Grande, lado esquerdo  (foto do autor)
Casa Grande, lado esquerdo (foto do autor)
Casa Grande, lado esquerdo, estado atual (foto do autor)
Casa Grande, lado esquerdo, estado atual (foto do autor)

Casa Grande, fundos. É o mesmo arco da foto anterior. (foto do autor)

Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, fundos (foto do autor)
Casa Grande, interior (foto do autor)

Casa Grande, interior  (foto do autor)
Objeto de pedra próximo ao lado esquerdo da capela (foto do autor)