BRASIL: RJ: RIO DE JANEIRO:
Passeio Público -
Passeio Público -
Public Promenade
1 – Localização:
Município do Rio de Janeiro. AP 1.1, Lapa. Rua do Passeio s/nº (-22.913371,
-43.176626)
2 – Histórico:
O Passeio Público foi
construído no local em que outrora ficava a lagoa do Boqueirão da Ajuda.
Esta lagoa apesar de desaguar na baía de Guanabara, era um local insalubre por
servir de local de despejo de dejetos pela população da cidade, além de impedir
a ligação com o caminho do Engenho D'El Rei, que ligava o centro à Zona Sul da
cidade. Após um surto epidêmico com muitas mortes, atribuído na época à
pestilência da lagoa, e conhecido como Zamparina, devido a uma
célebre cantora italiana em moda na época, o vice-rei do Brasil Don Luís de
Vasconcelos e Souza (1778-1790) determinou o aterro da lagoa, desobstruindo
assim a ligação da cidade com a Zona Sul. O aterro foi feito com material
proveniente do desmonte do antigo Morro das Mangueiras, onde fica a atual Rua Visconde
de Maranguape, na Lapa, a pouca distância à sudoeste da lagoa. No local
aterrado o vice-rei decidiu criar um jardim público, o qual foi o primeiro
parque ajardinado do Brasil.
“[...]
em meio do lugar chamado Boqueirão da Ajuda , cujo seio se compreende no
espaço desde a ponta da Misericórdia , ou do Calabouço [atual Museu Histórico
Nacional], até o monte de N. Senhora da Gloria [Morro da Glória], e por
assas pantanoso não só criava insectos , e mantinha grossa mosquitaria , [...] mas occasionava a podridão
da atmosfera , recolhendo as ondas impetuosas , que alli se espraiavam , erigiu
com grande desvello , e gosto , o Vice Rei Luiz de Vasconcellos e Souza o
plausível Passeio Publico. (Araújo, Vol. 7, pg. 72)
“Sendo vice-rei Luiz de
Vasconcellos e Sousa,... e havendo-se propagado nesta cidade a epidemia
Lamperini, da qual foi affectado o próprio vice-rei, tanto que deixou por algum
tempo de assivnar os papeis da Conjuração Mineira, tendo os practicos d’então
dado como causa dessa molestia a permanencia da lagoa do Boqueirão, resolveu
Vasconcellos, á custa do monte das Mangueiras, aterrar esse infecto pantano,
construindo sôbre elle um jardim público.” (Fazenda, pg. 32)
Coube ao Mestre Valentim da Fonseca e Silva
(1745-1813) a tarefa de arrasar o morro das Mangueiras, aterrar a lagoa e
construir o Passeio Público. Mestre Valentim é considerado o melhor escultor do
Rio na época e construiu o Passeio Público entre 1779 e 1783. Como houvesse
falta de recursos públicos e trabalhadores para a obra, decretou o Vice-Rei um
recrutamento na cidade de forma que muitos “vadios e detentos” fossem presos na Fortaleza da Ilha das Cobras; aqueles que sabiam um
ofício foram obrigados a trabalhar, de forma que o “rendimento e produto das
obras” destes fossem vendidos e usados para financiar a obra, juntamente com o
dinheiro proveniente da renda do Calabouço (prisão de escravos
criada pelo vice-rei no local do atual Museu Histórico Nacional), através de
uma taxa que os proprietários de escravos pagavam para mandar açoitar os que
fossem delituosos. Os “vadios” que não tinham ofício eram obrigados a trabalhar
nas obras públicas. O aterro da lagoa do Boqueirão da Ajuda criou uma área
equivalente a 200.000m2, o que promoveu o povoamento daquela região
e a abertura das ruas do Passeio e das Belas Noites (atual das
Marrecas). Mestre Valentim não trabalhou apenas como supervisor e autor da
planta do Passeio, mas também confeccionou todas as peças de arte, inclusive as
de metal, as primeiras fundidas no Brasil (na Casa do Trem, também
no atual Museu Histórico Nacional). O Passeio Público era fechado por um
muro alto, tendo a intervalos janelas com balaústres de madeira e grades de
ferro e era ornado na parte superior com vasos de cantaria. Na sua fachada
principal havia dois pilares de pedra lavrada, que firmavam um portão de
entrada em ferro forjado em estilo rococó, tendo no alto o brasão com
as armas reais e as efígies de dos reis de Portugal; este muro servia para
evitar que à noite os vagabundos o depredassem.
“Murado todo com paredes
firmes de pedra e cal entermeiadas de janellas , onde se collocáram assentos de
cantaria , he defendida a sua entrada por uma Porta férrea, trabalhada
soberbamente , sobre a qual se vê uma Medalha em bronze doirado com a epigraphe
seguinte—Maria 1. et Petro 3. Brasiliae Regibus. 1783” (Araújo, Vol. 7, pg. 72)
O jardim era em estilo francês e tinha a forma
de um trapézio, com dez alamedas retas, que se cruzavam ortogonalmente, e
outras formando diagonais. No seu interior foram instalados mesas e
bancos. Havia 10 alamedas formando triângulos. As duas alamedas principais
formavam uma cruz, com uma grande praça no centro.
“As ruas que o formoseam ,
delineadas com figuras differentes , e ornadas por diversas arvores fructiferas
do paiz , cujos ramos estensos , e Vistosissimos , reparam a ardência do Sol ,
ou a caida das chuvas , fazem agradável a situação , para ser frequentemente
visitada , achando os hospedes , em meio do lugar , assentos de pedra lavrada ,
onde descancem , e de cada um dos lados da rua principal , vistosas mezas ,
também de pedra, cobertas de jasmins , que convidam os passeantes á entreter
em, sociedades as horas de recreio.” (Araújo, Vol. 7, pg. 72-73)
A alameda
central ia do Portão de entrada à Fonte dos Amores e a quatro escadas de pedra,
que levavam a um belvedere, de onde se via a baía da Guanabara, que, à época,
chegava à altura do Passeio Público. Na Fonte dos Amores havia uma pequena
cascata onde se encontravam pousadas três aves pernaltas de bronze (chamadas
também de garças, saracuras ou íbis), sobre pedras e entre plantas, que
jorravam água pelos bicos. No centro desta mesma cascata, junto a dois jacarés
de bronze, entrelaçados, e que também jorravam água pelas mandíbulas, para um
grande tanque de pedra gnaisse, erguia-se um coqueiro de ferro, com seus
frutos, todo pintado, para parecer real. Ao fundo ficava uma cartela com as
armas de D. Luís de Vasconcelos.
“[...]
e fronteira á elles [os obeliscos ou pirâmides] ficou a Cascata , sobre que
um fingido Coqueiro , como plantado em pedragoso monte , onde pousam alguns
pássaros ( de bronze ) , mostrava o producto vegetal da sua classe. D'alli , dois
Jacarés fabricados em bronze , parecendo recrear-se entrelaçados fora do seu
leito natural , soltam as aguas por cannaes diversos para um alto tanque
próximo , em que observam a perfeição de suas semelhanças.” (Araújo, Vol. 7, pg. 73-74)
Subindo-se em direção ao terraço, havia nas costas da Fonte dos Amores, a Fonte
do Menino, que era composta por um menino de mármore segurando um cágado, que
por sua vez lançava água para um barril de granito. A legenda Sou útil,
ainda que brincando acompanhava a escultura. A fonte era abastecida
pelo Chafariz da Carioca, por intermédio de canos subterrâneos.
“Da Fonte sobredita [da Rua das Marrecas] corre
por cannos soterraneos da Rua das Bellas Noites outra porção do mesmo elemento
até a cascata do Passeio , por detraz da qual também surge : e uma tartaruga ,
sustentada alli por um Génio figurado em mármore , o despeja sobre o barril de
pedra , que o consomme , tendo na mão a epigraphe. == Sou util , ainda
brincando. ==” (Araújo, vol.
7, pg. 61)
“Duas escadas , erigidas á um
, e outro lado da Cascata , dam entrada para o terraço avarandado , e lageado
de mármore , que paredes grossas defendem dos movimentos impetuosos do mar : e
n'esse lugar , aprasivel pela vista desempedida da marinha, d'esde o longo da
barra da Cidade, até o interior da Enseiada, se encontra ( detrás da Cascata )
um Génio figurado em mármore , que despejando pela boca de uma Tartaruga
, sustentada nas maons sobre um barril de pedra ordinária , as aguas
industriosamente recebidas da Cascata, diz aos sequiosos — Sou util, ainda
brincando.” (Araújo, Vol. 7, pg. 73-74)
Na
margem da Baía de Guanabara, foi, também, construído um cais, para que as ondas
do mar não invadissem o jardim. O belvedere era um local disputado
para se apreciar as belezas naturais da baía de Guanabara, constituindo-se
em ponto de encontro da população carioca desde o final
do século XVIII até ao início do século XX. O belvedere, ou
terraço, possuía cerca de 10m de largura e tinha piso de mármore policromado em
preto e branco. Junto ao parapeito, Mestre Valentim construiu sofás de
alvenaria, revestidos por azulejos de inspiração mourisca. O guarda corpo que
protegia a escada foi feito em ferro fundido forjado, com as barras modeladas
quentes até atingir a forma desejada sem nenhum parafuso ou solda. O terraço
era cercado por uma grossa balaustrada de bronze e sobre suas colunas havia
jarras de mármore e um busto de Febo; era interrompido a intervalos por grandes
grades de bronze. O belvedere contava com uma iluminação especial, fornecida
por oito lampiões de óleo de peixe; estes foram removidos, após a vinda da
família real, para iluminar o Paço Imperial. Para ornamentar o terraço do
Passeio, o local mais frequentado do parque, Mestre Valentim construiu, nas
extremidades do belvedere, dois pavilhões quadrangulares que funcionavam como
mirantes: o Pavilhão Apolo e o Pavilhão Mercúrio. Os pavilhões possuíam quatro
janelas envidraçadas e duas portas de dobrar. O teto era em forma de pirâmide
octogonal, e nas paredes ficavam os painéis. Os pavilhões eram decorados sobre
os cantos da platibanda, que ocultava o telhado, com vasos de mármore, de onde
saíam abacaxis de ferro, fundidos por Mestre Valentim. A decoração interior dos
pavilhões ficou a cargo de dois famosos artistas brasileiros do século XVIII:
Francisco Xavier Cardoso Caldeira, o Xavier dos Pássaros, e o sargento
Francisco dos Santos Xavier, o Xavier das Conchas. O Pavilhão Apolo foi
decorado por Xavier dos Pássaros e teve o teto decorado com trabalhos de
conchas e ornamentado nas cornijas por desenhos de pássaros e penas de aves de
diferentes cores, “fingindo flores” ou mostrando aspectos da cidade. As paredes
desse pavilhão exibiam oito painéis elípticos pintados por Leandro Joaquim, que
representavam produtos da terra, todos perdidos: minas de ouro e diamantes;
plantações de cana-de-açúcar e seu respectivo engenho; cultura e preparação do
anil; plantação do cactos opuntia com a maneira de extrair a
conchonilha; mandioca e seus derivados; pés de cânhamo; manufatura de
cordoalha. Coroando este pavilhão havia uma escultura do deus Apolo tocando uma
lira em mármore português. As telas do pavilhão Apolo, segundo George Stauton
(1792) eram mal-executadas e maiores que as do Pavilhão Mercúrio. O Pavilhão
Mercúrio foi decorado por Xavier das Conchas e apresentava no teto e nas
cornijas, figuras de peixes, executadas com pequenas conchas do mar e escamas de
peixes. As paredes desse pavilhão exibiam oito painéis elípticos pintados por
Leandro Joaquim, que representavam cenas marítimas e cotidianas do Rio de
Janeiro, dos quais sobram ainda seis: Entrada da Barra (perdida); Incêndio de
uma grande nau holandesa (perdida); Cena Marítima (representa
possivelmente a chegada ao Rio da frota mercante inglesa destinada a colonizar
a Austrália, sob comando de Arthur Phillip, em 1787); Revista Militar no Largo
do Paço (retrata a cerimônia de inauguração das obras de remodelação do
Largo do Paço, atual Praça Quinze, ou, segundo outros, a celebração do
aniversário de Dona Maria I); Pesca da Baleia (mostra a entrada da baía e
várias baleias); Procissão ou Romaria Marítima ao Hospital dos
Lázaros (mostra embarcações desfilando em frente ao Hospital dos Lázaros,
em São Cristóvão; uma das naus leva a bandeira do Divino Espírito Santo);
Vista da Igreja da Glória; Vista da Lagoa do Boqueirão e Arcos da Carioca
(mostra a lagoa do Boqueirão antes do aterro, com muares e crianças nadando).
Coroando este pavilhão havia uma escultura do deus Mercúrio em mármore
português. Os mirantes eram considerados então a maior atração da cidade. Da
decoração original de Mestre Valentim, sobrou o conjunto do Chafariz do
Menino (mas a estátua atual do menino não é a original, já desaparecida), as
pirâmides, escadas e amuradas e a Fonte dos Amores, com estátuas
de jacarés em bronze. Os abacaxis de ferro confeccionados por Mestre Valentim
desapareceram; sobreviveram seis telas de Leandro Joaquim à demolição dos
pavilhões e estão hoje no Museu Histórico Nacional e no Museu Nacional de Belas
Artes.
“Occupam o parapeito em roda
do mesmo terraço varios alegretes com flores , que entermeiam differentes
assentos de pedra commum , e ornam alguns vasos de marmore ; e duas Casas , ou
pavilhoens levantados em cada extremidade , fazem mui brilhante a sua
perspectiva. Compunham as paredes interiores do que está para a parte da Lapa
alguns quadros á pincel , representando as grossas Armadas , que em certa
estação ancoraram n'este porto ; e vestiam o tecto escolhidas madrepérolas ,
dispostas em festoens de flores , com a differença das cores , que a natureza
imprimiu no forro da carne dos mariscos. Ornavam as paredes da outra, para a
parte de Santa Luzia, diversos painéis , em cujos pannos se debuxáram
exactamente varias fabricas , e oficinas do Brasil ; e guarneciam o tecto
delicadas pinturas de pennejado , formadas de plumages das aves, que faziam
admirar a dexteridade dos executores de taes obras, e muito mais a delicadeza
do autor d'ellas desenhando-as com particularíssima intelligencia. Duas figuras
, era forma de obeliscos , rematavam os pontos médios de cada uma das Casas ,
em cujos ângulos se haviam collocádo outros tantos ananazes , que , sem
dissemelhança dos produzidos pela terra , mostrava sua figura , e particular
perfeição. Illuminão anualmente este sitio nas horas nocturnas oito lampioens
fixos no terraço , e trabalhados com boa arte ; alem dos quaes se conservavam
outros muitos em duas Casas construidas dentro do Passeio , para servirem ás
illuminaçoens por motivo de festevidades Regias [...]
Servem hoje esses lampioens de iluminar o Paço Real [Paço Imperial], e a praça
contigua [Praça XV].” (Araújo, Vol. 7, pg. 75-76)
“[...]
um grande campo tão inutil como agradável e proprio para RECREIO do PUBLICO,
si tivesse mais alguma verdura, que o simples capim. Fez [D. Luís de Vasconcelos] plantar ahi laranjeiras e construir um cercado de limoeiros e
cidreiras. Occupava nesse mister os presos e mandou prevenir os vizinhos para
no parque não deixarem entrar animaes domesticos.” (Fazenda, pg. 100)
Em 1786, aconteceram no Passeio grandes festas
em comemoração ao casamento de Don João VI e Dona Carlota Joaquina. Em 1806, na
época do vice-rei Conde dos Arcos (1806-1808), Mestre Valentim esculpiu em
granito carioca duas pirâmides triangulares e as envolveu cada uma por de um
pequeno lago triangular; em cada uma, em sua face posterior, colocou um
medalhão em mármore branco, com as inscrições À Saudade do Rio (pirâmide
esquerda) e Ao Amor do Público (pirâmide direita). Esguichos
de água saíam dessas pirâmides e alimentavam os seus reservatórios. As
pirâmides de granito foram as últimas obras de Valentim para o Passeio.
“Nos mesmos sitios estam dois
Lagos construidos artificiosamente no meio dos quaes se levantaram outros
tantos Obeliscos de pedra com as seguintes Inscripçoens À saudade do Rio , e Ao
Amor do Publico ; [...]” (Araújo, Vol. 7, pg. 73)
Havia também uma estátua da deusa Ceres, que
atualmente está no Jardim Botânico. Segundo o escritor Joaquim Manuel de
Macedo, o vento destruiu os galhos do coqueiro, que acabou sendo retirado do
parque, bastante deteriorado, em 1806, a mando do vice-rei Conde dos Arcos
(1806-1808). Em seu lugar foi instalado, em um pedestal de granito, um busto da
deusa Diana em mármore.
“Arruinado o Coquiro pelo
tempo , substituiu-lhe um busto de marmore.” (Araújo, Vol. 7, pg. 73)
A partir de
1815, tiveram início no Passeio as aulas de Botânica de Frei Leandro do
Sacramento, ministradas em um pavilhão construído no canto do parque.
“Em tempo muito posterior se levantou , ao lado direito da
entrada, outra Casa, para servir liçoens de Botânica.” (Araújo, Vol. 7, pg. 76)
Em
1817, estando o Passeio Público em estado lastimável, foi realizada a sua
primeira reforma. Os pavilhões, arrasados pelas constantes ressacas, foram
definitivamente demolidos em 1817. Com a demolição, o terraço do Passeio foi
ampliado. Para substituir os pavilhões quadrangulares, foram construídos pavilhões
octogonais, e foram acrescentados novos pavilhões ao jardim. As estátuas de
Mercúrio e Apolo, o busto de Febo e os abacaxis de ferro fundido foram
retirados. Algum tempo depois desapareceu o menino de mármore que jorrava água.
“Sentindo o paredão do terraço
algum damno, á que foi necessário accodir era tempo , se derrubáram em 1817
ambas as Casas [os pavilhões].” (Araújo, Vol. 7, pg. 75)
“Competeria sem duvida, na
grandeza, este edifício com o de Lisboa , se fora mais amplo o sitio : e
contudo, se aquelle lhe precede por isso , e pelos enfeites artificiosos dos
arvoredos silvestres , que o adornam , não he portanto mais bello. Porque, no
curto espaço, em que este se construiu , apparecem superiormente aprasiveis o
local , e o bom gosto do trabalho interior , realçando-o mais a compostura
natural das arvores sempre vestidas de folhagem , e carregadas de fructo
nas estaçoens próprias. Em consequência da falta do Illustre fundador recolhido
á Corte ( não sem magua , e saudade dos habitantes desta Capitania ) para
occupar outros cargos , á que o chamava o seu merecimento assas conhecido,
sentiu este edifício algumas desgraças , que o pouco trato , e total desprezo
do sucessor do Posto lhe occasionou ; cuja ruina seria lamentada , se por Ordem
superior não se acautella-se á tempo.” (Araújo, Vol. 7, pg. 76)
Em 1833, a Regência autorizou a execução de
obras nos edifícios existentes dentro do Passeio, que incluía a senzala para os
escravos que trabalhavam no parque que estava em ruínas, assim como a casa onde
morava o administrador, usada para sediar as aulas de Frei Leandro. Na regência
de Feijó, em 1835, o muro que cercava o Passeio Público foi substituído por
grades de ferro, e houve reforma no terraço e nos pavilhões. Em 1841, o
Intendente Geral de Obras Públicas, Coronel Antônio João Rangel de Vasconcelos,
comandou uma grande reforma no Passeio. Naquela ocasião as estátuas de Mercúrio
e Apolo foram trazidas novamente para o parque, assim como o busto de Febo. O
medalhão de Dona Maria I e Don Pedro III, no portão, foi restaurado (havia sido
retirado em 1831, no fervor anti-Lusitano). A escultura de mármore do menino da
fonte foi substituída por uma cópia de chumbo e água passou a sair de um jarro
(hoje inexistente), localizado nas mãos do menino; a última parte do barril e o
degrau de granito também foram esculpidos em 1841. No entanto, a réplica
da escultura foi confeccionada com asas de borboleta e com o dobro do tamanho
da original. No final da década de 1850, o Passeio Público se encontrava
novamente em estado de total abandono. Em 1854 levantaram-se 2 pavilhões
octogonais nos triângulos do jardim, mas conservaram-se fechados; também neste
ano instalaram 100 lampiões a gás, alguns com vidros coloridos.
Em 1860, durante a visita do príncipe Maximiliano
da Áustria ao Brasil, este, ao pisar no terraço do Passeio público, não
suportou o cheiro fétido dos dejetos e tapou o nariz com um lenço,
envergonhando as autoridades presentes. Assim, o Barão de Uruguaiana, Ministro
do Império, convocou, a pedido de d. Pedro II, o tabelião Francisco José Fialho
para recuperar o jardim. Fialho contratou o paisagista francês Auguste
François Marie Glaziou para fazer um novo projeto paisagístico para os
jardins do Passeio. A reforma Glaziou teve início a 23 de janeiro de 1861. O
muro foi substituído por um gradil de ferro apoiado sobre um embasamento de
alvenaria. Glaziou desprezou as linhas geométricas próprias do estilo
francês adotadas por Mestre Valentim, e introduziu no Passeio o estilo inglês,
mais romântico, com caminhos sinuosos. As alamedas do parque ganharam formas
curvas, com grandes gramados e muitas árvores foram cortadas. Foram construídos
pequenos rios, um repuxo, um lago com uma ilha artificial e uma ponte em forma
de troncos de árvore. De Paris vieram quatro estátuas de ferro desenhadas
por Mathurin Moreau e fundidas no Val D’Osne, representando as
estações do ano. Os lagos foram povoados por cisnes, irerês e marrecas, além de
dois exóticos peixes-bois. Glaziou introduziu uma pequena elevação numa
das laterais do parque, onde foram instalados um banco de argamassa imitando
pedra natural (rocaille) e um caramanchão. Por trás da rocaille,
um jorro d’água simulando uma cascata natural alimentava um riacho sinuoso e
estreito, que percorria as laterais e os fundos do parque. Na ocasião da
reforma, Glaziou foi duramente criticado por alterar o traçado original de
Mestre Valentim. Glaziou reordenou também a flora do jardim, introduzindo novas
espécies, incluindo árvores exóticas de grande porte, como Figueira da Índia e
Gameleira, além de espécies arbustivas de pequeno porte, como a Murta;
atualmente ainda sobrevive grande parte das espécies arbóreas assim como o
desenho dos canteiros projetados por Glaziou. Glaziou também construiu um
grande lago sinuoso, estreito e na entrada, outro, menor, redondo, com
um chafariz central. Atualmente, apenas o primeiro pode ser
contemplado. Do segundo, aterrado, apenas podemos ter uma noção de suas
dimensões através de marcas, no solo, próximo ao Portão Principal do parque. Na
reforma foi construído também um amplo pavilhão de estrutura metálica, onde
funcionou uma espécie de “café-concerto”, com mesas e cadeiras externas. Ao
lado do café foi instalado um coreto, onde todas as noites tocava uma banda
alemã. Do lado esquerdo do Passeio Público foi erguido um chalé suíço com
um peristilo sustentado por colunas de madeira, tendo na frente uma escada de
pedra com sete degraus para cada lado, destinado a servir de casa do
Diretor Glaziou. Também foi aterrada a região em volta da Fonte dos amores,
cobrindo parte da base do tanque em gnaisse. O Passeio foi reinaugurado na
presença do imperador D. Pedro II, a sete de setembro de 1862, quando se
comemorava o 40º aniversário da Proclamação da Independência.
Em 1896 foi instalada no interior do Passeio uma
fonte luminosa, de origem e autor desconhecidos, e de curta existência. Em
1901 foi inaugurado o primeiro busto no Passeio Público, o do poeta Gonçalves
Dias, obra de Rodolfo Bernadelli, fundido no exterior ao custo de 60 francos. Durante
a gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), a Inspetoria de
Matas, Jardins e Arborização realizou uma transformação completa no Passeio. Na
ocasião, a muralha em torno do jardim é substituída por um gradil e os dois
portões laterais de madeira são trocados por outros de ferro. O ladrilhamento
do terraço é reformado, as moitas que cobriam os troncos das árvores são
arrancadas, é plantada uma nova grama, são instalados chalés de latrinas e
mictórios e reformadas algumas construções. Nessa época também é instalada no
parque a Fonte do Velho, escultura de bronze de Nicolina Vaz de Assis
(1874-1941), considerada a primeira escultora brasileira (a escultura original
foi roubada em outubro de 1993). Em 1904, o parque perdeu a área do
belvedere para a abertura da Av. Beira-Mar. Com a obra, 76m de terreno da Rua
do Passeio foram fechados e ajardinados. Os muros do parque também receberam
uma limpeza especial. Na face que dava para a Avenida Beira-Mar foram
construídas escadarias de acesso e os parapeitos de alvenaria foram
substituídos por balaústres de mármore, com candelabros de três a cinco
lâmpadas. Nesta época também se constrói um aquário de água
salgada no Passeio Público. O aquário organizado pelo naturalista
Alípio Ribeiro intencionava dar uma visão geral da fauna do fundo da Baía de
Guanabara. O projeto, teve o custo de 50 contos de réis e foi inaugurado em 17
de setembro de 1904. À cerimônia de inauguração compareceram o presidente
Rodrigues Alves e o prefeito Pereira Passos, entre outras autoridades. O
aquário possuía um vestíbulo, por onde entravam as pessoas e um corredor largo,
dividindo em duas galerias com tanques fechados por face de vidro de cerca de 1
m por 0,75 m, dando uma ampla visão dos peixes em movimentação. A profundidade
dos tanques era de cerca de 80 centímetros, sendo que naquela época os vidros
eram espessos, com cerca de 25 milímetros. As duas galerias paralelas mediam
cerca de vinte metros cada uma, e contavam com 20 piscinas ou tanques. Estas
tinham o formato de um túnel ou gruta, de certo modo escuros, tendo luz apenas
penetrada por pequenas clarabóias. O aquário possuía, segundo Charles
Dunlop, estilo oriental. Havia também um pequeno museu ou painéis
com algumas espécies que não se encontravam no aquário. O aquário, o
primeiro de água salgada da América do Sul, era habitado por cerca de 35
diferentes espécies de peixes, moluscos, crustáceos e quelônios. Podiam ser
vistas também plantas aquáticas, tartarugas-marinhas, um polvo, lagostas,
cavalos-marinhos, ouriços e estrelas-do-mar. A água, trocada duas vezes
por semana, era captada no mar através de uma embarcação e em seguida filtrada
e transferida para os tanques por um tubo de borracha. Em seus três primeiros
meses de funcionamento, o aquário foi visitado por mais de nove mil pessoas.
As três aves pernaltas da Fonte dos Amores foram levadas em 1905 para
o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a pedido do então diretor da instituição,
João Barbosa Rodrigues. Em 1912, foi inaugurado o busto do médico e jornalista
Ferreira de Araújo (obra de Rodolfo Bernadelli e fundido na Fundação Indígena)
e em 1913 o de Castro Alves e o de Mestre Valentim (executado por Joaquim
Rodrigues Moreira Júnior, inspirado no desenho de Lucílio de Albuquerque a
partir da tela "Reconstrução do Recolhimento do Parto" de Leandro
Joaquim).
Nos anos 20, o Passeio voltou a entrar em estado de abandono. Nesta
época, a realização de um novo aterro afastou ainda mais o Passeio do mar.
Nessa época também são retirados os gradis de 1862 e demolidas as palmeiras
centenárias. O belvedere do parque, incluindo as mesas de pedra, é demolido em
1920, durante a administração do prefeito Carlos Sampaio (1920-1922). Em seu
lugar foi construído o Teatro-Cassino Beira Mar, projetado pelo arquiteto
Heitor de Mello. No Teatro-Cassino Beira Mar, também chamado de Beira Mar
Cassino, funcionava um teatro e um cabaré; apesar do nome, jamais foi
lugar de jogos. Ele foi decorado e mobiliado pelos empresários Laport e
Viggiani e foi inaugurado em 1926, com a peça A Sorte Grande, de Manuel
Bastos Tigre.
Na administração de Henrique Dodsworth
(1937-1945) são promovidos alguns ajustes no Passeio Público, considerados
necessários à retomada das características originais do parque,
sendo demolidos os prédios onde funcionava o Teatro-Cassino. Com a
demolição, o terraço do Passeio é liberado, o jardim é restaurado e é criada a
Rua Mestre Valentim, hoje incorporada à Avenida Beira Mar. Na ocasião também
são realizadas obras na Ruas do Passeio e Luís de Vasconcelos, e em toda a área
em volta do parque. Em 1938 também é demolido o aquário, que fora uma das
maiores atrações do Passeio e da cidade; nesse mesmo ano, o Passeio
Público do Rio de Janeiro é tombado pela SPHAN. Em 1946, uma inspeção técnica
realizada no parque verificou que as pirâmides estavam revestidas por hera
espessa, que se alastrava pelos medalhões de mármore. Um dos medalhões estava
quebrado, enquanto o gradil de ferro se encontrava danificado na parte inferior
pela ação da maresia, ferrugem e urina. A ponte de ferro imitando galhos de
árvore também se achava danificada. Em 1948, o espesso tapete de hera que
durante muitos anos recobriu as pirâmides de Mestre Valentim, foi finalmente
retirado.
O parque voltou a ser cercado por gradis um
pouco antes de 1969. Na década de 1980, durante a gestão do Prefeito Marcelo
Alencar, o Passeio foi novamente cercado. Em 1992, os braços do Menino da Fonte
do Menino foram cortados e a faixa arrancada. Em 1988 o Passeio Público sofreu
uma longa reforma, tendo sido feita a limpeza do jardim, o plantio de novas
mudas e na restauração das fontes, bustos, estátuas e pontes. As galerias de
águas pluviais e a balaustrada em bronze também foram recuperadas. O
parque ganhou iluminação especial e mais um portão de acesso (hoje fechado). As
pirâmides ganharam retoques em toda a cantaria e gradis mais altos foram
instalados para controlar o acesso ao parque. Esta reforma recuperou, também,
mil metros do parque, que haviam sido perdidos para a abertura da Avenida
Beira-Mar; o espaço recuperado é equivalente ao antigo belvedere do 1783; no lado interno, há s
armas da cidade do Rio de Janeiro que substituíram as armas do Império.
3 – Descrição:
Apresenta orientação geral nordeste-sudeste e forma de um trapézio equilátero,
com maior lado (frente), virado para o noroeste. O Passeio Público tem uma área
plantada é de 17.637 m2. O Passeio Público é todo cercado por
um gradil metálico pontiagudo sobre uma pequena base de alvenaria. O portão de
entrada é de ferro fixado sobre dois muros de pedra lavrada. Os muros são de
granito e têm uma base de pedra e acima blocos retangulares de pedra de
cantaria, no topo dos quais há uma cornija, sobre a qual, na parte mais
lateral, há um vaso de cantaria sobre uma base de pedra (no lado esquerdo há a
base, mas falta o vaso); os capitéis, molduras e outros ornatos são em mármore
de lioz. Na frente de cada muro se projeta um pilar encimado por um capitel
semelhante ao jônico e tendo mais acima uma cornija e no topo um vaso de
cantaria. Acima da cornija do muro, junto ao pilar, há volutas. O portão de
ferro forjado em estilo rococó é ornamentado por plumas e folhagens
estilizadas, e rocalhas. Acima do portão propriamente dito há um medalhão
circular de bronze dourado que traz, no lado externo, as efígies da rainha Dona
Maria I e de seu marido, Don Pedro III, com o dístico Maria Iª et Petrus III
BrasiliaeRegibus 1783; no lado interno, há as armas da cidade do Rio de
Janeiro que substituíram as armas do Império.
Logo após a entrada vê-se um círculo de pedra no chão que corresponde ao
local onde ficava outrora o lago e o chafariz de Glaziou. O parque está cheio
de canteiros com plantas e árvores, separados por alamedas. Há um lago que se
inicia no lado esquerdo não longe do muro da entrada, inicialmente bastante
estreito e quase em semicírculo, terminando em um lago oval mais largo e com
algumas ilhas, situado no lado direito, próximo à metade da fachada direita; há
uma ponte do lado esquerdo e uma na parte central. Em uma das ilhas do lago
oval da direita, há a Fonte do Velho (também conhecida como Velho com
ânfora ou Fonte de Tritão) representado por um velho ajoelhado com um
vaso sobre o ombro direito, de onde sai água que cai no lago. Há dois quiosques
de madeira, restaurados em 2000 pintados em vermelho e com teto pontiagudo. No
lado esquerdo há a elevação artificial baixa imitando pedra e com bancos de
pedra criada por Glaziou. Espalhados pelas alamedas há bancos de alvenaria.
Vários bustos se espalham pelo parque. O busto de Mestre Valentim foi esculpido
em bronze por J. R. Moreira Júnior, possuindo 60cm de largura e 60cm de altura,
enquanto a base, de granito, possui 60cm de largura e 2m de altura. O busto de
Castro Alves, obra de Eduardo de Sá, situa-se sobre uma coluna em estilo
egípcio. Outros bustos, com seu escultor em parêntese, são: Alberto Nepomuceno
(Rodolfo Bernardelli), Betencourt da Silva (Modestino Kanto), Chiquinha Gonzaga
(Honório Peçanha), Ferreira de Araújo (Rodolfo Bernardelli), Francisco Braga
(Paulo Mazzuchelli), Gonçalves Dias (Rodolfo Bernardelli), Hermes Fontes
(Humberto Cozzo), Irineu Marinho (Benevenuto Berne), José Paulo Silva (Carlos
del Nigro), José Plácido de Castro (Armando Schnoor), Júlia Lopes de Almeida
(Margarida Lopes de Almeida), Moacir de Almeida (Honório Peçanha), Olavo Bilac
(Humberto Cozzo), Olegário Mariano (Humberto Cozzo), Pedro Américo (Paulo
Mazzuchelle), Raimundo Correia (Honório Peçanha), Rodolfo Bernardelli (Correia
Lima), Vitor Meirelles (Eduardo de Sá). Também espalhadas estão as esculturas
das Quatro Estações, desenhadas por Mathurin Moreau e fundidas em 1860 no Val
D'Osne e colocadas em cima de grandes bases metálicas circulares decoradas com
motivos vegetais em baixo relevo. A Primavera é uma mulher com uma longa túnica
tendo na mão direita uma grinalda circular. O Verão está representado por um
jovem vestindo uma túnica curta e tendo na mão esquerdo um bastão que se apóia
no chão. O Outono está representado por um jovem com a cabeça com uma coroa de
louros (?), vestindo uma túnica curta e tendo à esquerda um vaso com frutos
(?), seguro com as mãos. O Inverno está representado por uma jovem totalmente
vestida, com a cabeça semicoberta, que estende a mão destra sobre o que, na
escultura original, seria um trípode em chamas (que não existe mais); ela
parece representar uma virgem vestal ou a própria deusa romana Vesta. Na parte
posterior do parque, no eixo do portão de entrada, encontra-se a parte nobre do
parque.
No centro, uma ponte em argamassa simulando galhos de árvore atravessa o
estreito lago. De cada lado da ponte, no lago, fica uma pirâmide de pedra; na
fachada posterior há em cada uma um medalhão em mármore branco, com as
inscrições À Saudade do Rio (pirâmide esquerda) e Ao
Amor do Público (pirâmide direita). Pouco depois da ponte fica a Fonte
dos Amores ou Chafariz dos Jacarés. Ela fica no meio de um tanque escavado no
chão, atualmente coberto de grama, tendo uma base de alvenaria em degraus sobre
a qual há um largo tanque de cantaria, este parcialmente cheio de água. No meio
deste tanque há um pequeno outeiro artificial formado de pedras presas por
plantas e arbustos. Na sua borda anterior vê-se dois jacarés de bronze
entrelaçados. Atrás da fonte há um muro trapezoidal, com uma balaustrada
metálica nas laterais e com o centro decorado com volutas e encimado pela
cartela com as armas de Don Luís de Vasconcelos. No centro do muro há um
pedestal de granito; outrora havia nele um busto de Diana. De cada lado do
tanque escavado no chão há uma ampla escadaria de cerca de seis degraus que dá
para o terraço. O terraço, em nível mais alto, tem em sua face anterior um
gradil baixo, interrompido nas extremidades. No lado posterior do muro da Fonte
dos Amores ficava a Fonte do Menino. Esta ficava em um plano mais elevado, no
nível do terraço e tinha uma base em três degraus de alvenaria. No centro
ficava um barril de alvenaria e atrás um menino de chumbo semidesnudo e
segurando uma faixa com o dístico Sou útil, ainda que brincando.
Diariamente
das 9:00 às 17:00 hs.
5 – Bibliografia:
ARAÚJO, José de
Souza Azevedo Pizarro e. Memórias
Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias anexas à Jurisdição do Vice-Rei
do Estado do Brasil. vol. 7. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1820.
FAZENDA, José
Vieira. Antiqualha e memorias
do Rio. RIHGB, vol. 140, 1921.
COARACY, Vivaldo. Memória
da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora,
1955.
CRULS, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro. 3ª ed. Rio
de Janeiro: ed. José Olympio, 1965.
GERSON, Brasil. História
das Ruas do Rio. 5ª ed. Rio de Janeiro: ed. Lacerda, 2000.
http://www.passeiopublico.com/htm/sec21-02.asp
http://rememorator.info/?p=433
https://frags.wiki/index.php?title=Passeio_P%C3%BAblico
Public Promenade: Brazil, State of Rio de Janeiro, City of Rio de Janeiro, Lapa
It was made between 1779 and 1783 by orders of the Vice-King Don Luís de Vasconcelos e Souza (1778-1790) in the land acquired with the embankment of the lake Boqueirão. Master Valentim made the project and many of the sculptures. In 1860 it suffered a major reform by the french paisagist Auguste François Marie Glaziou, which changed his gardens from the geometric french to the curvilineal english style. In 1904 another major reform was done by Mayor Pereira Passos, with the construction of an aquarium. In 1922 was constructed in its area the Teatro-Cassino Beira Mar, which was demolished in 1938. The las major reform was in 2004. Some of the artistic features of Master Valentim still survive. Originally constructed close to the bay, nowadays, due to enbamkments, it is several meters far from the water.
![]() |
Plano original do Passeio Público de Mestre Valentim. Observe as alamedas retas. Os dois triângulos mais escuros no alto são os locais das pirâmides e os dois círculos escuros mais no alto são os dois pavilhões |
Planta atual. Vejo o trajeto sinuoso dos jardins de Glaziou. Área alaranjada era onde ficava o Belvedere, a verde clara ao lado, era onde ficava o Teatro Cassino, a verde mais clara a noroeste era o aquário, o retângulo preto a sudeste era o chale e o círculo na entrada (sul) era o chafariz de Glaziou
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário