domingo, 13 de dezembro de 2015

BRASIL: RJ: ITABORAÍ:
Igreja de Santo Antônio de Cacerebu - 
Church of Saint Anthony of Cacerebu

1 – Localização:
Município de Itaboraí, 2º. Distrito. Porto das Caixas (-22°39'28.11"S; 42°53'24.97"O)
2 – Histórico:
A primitiva ermida foi fundada cerca de 1612, por Manoel Fernandes Ozouro, senhor daquelas terras por compra ao Jesuítas, com autoridade do prelado Mateus da Costa Aborim.
“Sendo o territorio desta Freguesia pertencente ao da Candelária desta cidade, e dela notavelmente distante para serem socorridos com o Pasto Espiritual os Fiéis, que o povoaram, e exerciam cada dia em número; foi da indispensável vigilância do Revmo. Administrador da Jurisdição Eclesiástica, que regia esta Capitania de S. Sebastião do Rio de Janeiro, o usar da Jurisdição, que o Concílio Tridentino na Sessão. 21º Capítulo 4º concede aos Senhores Bispos, e áqueles Prelados, que ocupam seus lugares. Havia então, pelos anos de 1.612, neste lugar uma pequena Ermida do termo de S. Antonio, que tinha sido fundada por Manoel Fernandes Ozouro, Senhor d´aquelas terras, por compra feita aos Padres da Companhia de Jesus; cujas terras eram anexadas á Fazenda dos mesmos situada no lugar da Papocaia, distante 3 leguas [20km] desta Matriz, Vila, e hoje pertencente á Freguesia da SSma. Trindade. [...] Do dito Miguel de Moira passou a Sesmaria aos Padres da Companhia de Jesus, por doação em Escritura de 18 de outubro do dito ano de 1.571; e persuadidos estes que não podiam possuir terras, sem que S. Mag. houvesse de permitir-lhe esta faculdade; obtiveram do Sr. Rei. D. Sebastião a confirmação da mesma Sesmaria, em Carta sua de doação passada em Lisboa aos 6/12/1.571. Feitos Senhores destas terras, passaram a dividi-las, e fazer vendas á diversas pessoas: entre essas foi uma o dito Manoel Fernandes Ozouro, que primeiro comprou 350 braças, e dentro delas fez a Ermida de S. Antonio, para cuja sustentação as hipotecou todas no ano de 1.612 [...]” (Araújo, 1794)
[...] o dito Moura, doou-a aos Padres Jesuitas por Escritura de 18 de Outubro de 1571; e os novos proprietários naõ se descuidaram de confirma-la por El-Rei D. Sebastião, em Carta lavrada á 6 de Dezembro do mesmo anno. Parte das terras declaradas vendeu o Collegio a Manoel Fernandes Ozouro, que, com permissão do Prelado Aborim , fundou uma Capella em sitio entre os Rios Cassarébu , e Aquápehy-Assu , dedicando-a à Santo Antonio no anno de 1612 , e hypothecando-lhe trezentas e cincoenta braças de terra para sua subsistência.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 184)
A capela foi doada em 1624 para ser transformada em cura, mas, provavelmente, esta só se tornou capela curada em 1640.
“Para aquela fundação havia precedido a autoridade do Rmo. Administrador Mateos da Costa Aborim; e para a subsistência da mesma Ermida hipotecou-a seu fundador todas as terras, que alí possuia, e eram 350 braças [700m]. Por este mesmo Administrador foi depois resolvido, e assentado criar a Ermida em Cura: e por esta causa, em Escritura de 11/8/1.628, doou aquele fundador, e Senhor, a Ermida, com todo o seu recebimento que tinha defronte da Igreja, e Adro, que fôsse necessário para traz, ornamentos, alfaias digo, Imagens, e todas as suas alfaias e todos os seus trastes para aquele efeito: outrossim dotou, deu, e largou mais 100 braças [220m] em quadra de traz da mesma Igreja, para nelas fazer suas casas; e assento o vigário, que o Prelado posesse, ficando por esta doação desobrigado da hipoteca feita á Ermida. Se com esta doação foi logo criada em Cura a dita Ermida, ignora-se: mas parece certo, que não: por que não consta, que ali se fizessem atos alguns paroquianos, como Curada, senão do ano de 1.640 por diante, principalmente batismos; e também, nessa circunstância não requeria o Povo / pela falta que sentia da administração do pasto espiritual / que se criasse alí uma Freguesia. [...] Manoel Fernandes Ozouro dotou, deu e largou mais 100 braças de terras em quadra, de tráz da mesma Ermida, para nelas fazer suas casas e assento o Vigário, que o Prelado posesse nesta Igreja, criando-se ela em Cura. [...] e havendo depois maior porção delas em compra no ano de 1.614, quando se tratou de fazer criar-se a Cura, ou Freguesia na mesma Ermida, por Escritura de 11/8/1.624 eximindo-se da hipoteca geral, doou / além das 50 braças em quadra na frente da Ermida, para a Igreja e Fabrica / 100 braças em quadra por trás da Igreja, para nelas fazer suas casas, e assento, o Vigário, que o Prelado puzesse nesta Igreja. Desta doação, por dilatados anos viveram ignorantes os Párocos da mesma Igreja, por que nenhum documento se podia encontrar, por onde ela constasse, nem no Cartorio da Câmara, nem nos Livros da Matriz; e nem memoria alguma havia depositada entre os antigos manuscritos. Por esta causa, tanto das 50 braças da Igreja, como das 100 dos Pároco estavam Senhoras á Câmara da Vila, e a Irmandade de Santo Antonio, a quem o mesmo dito Ozouro também havia feito doação de 100 braças, imediatas aquelas: e ambas estas corporações tem colaborado até o presente os arrendamentos das mesmas terras; a Câmara, sem termo algum; e a Irmandade por mistura que fizeram das que lhe pertenciam, com as da Igreja; por entre ambas se dividirem, e não haverem posto balizas, por onde se conhece o rumo, ou termo dividente. ” (Araújo, 1794)
“Por utilidade espiritual do Povo residente no districto de Macacu , resolveu o mesmo Prelado criar alli um Curato ; e concorrendo para esse fim a boa vontade do fundador , e de sua mulher Izabel Martins , por ambos foi doada a Ermida com todo Adro em frente , cem braças de terra em quadra detrás da mesma , e alfaias que a ornavam , e serviam ao seu uso , em Escritura de 11 de Agosto de 1624.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 185-186)
            Em 30 de dezembro de 1644 é criada a Freguesia de Santo Antônio do Cacerebu, por desmembramento da Freguesia da Candelária, por Don Antônio de Marins Loureiro, sendo confirmada por Don João IV em 10 de fevereiro de 1647.
“Autorizado d´aquela Jurisdição dita, e atento ás súplicas do Povo deste territorio, houve por bem o Revmo. Administrador Dr. Antonio de Marins Loureiro desmembrar aquela parte de terreno, denominado Casarebú, da Freguesia da Candelária e criar nêle uma nova Paroquia aos 30 dias do mês de dezembro do ano de 1.644. com o termo de S. Antonio de Casarebú; cuja desmembração foi depois confirmada pela Magestade do Senhor D. João 4º em seu Alvará de 10 de fev. de 1.647, pelo qual mandou que o Pároco desta Freguesia venceria a mesma côngrua, que estava concedida aos mais Párocos das Freguesias Coladas.” (Araújo, 1794)
“Subsistiu Curada , atéque o Prelado António de Marins Loureiro deliberou eleva-la em Parochia : e precedendo para isso as notificaçoens precisas aos Párocos Manoel da Nóbrega , da Freguezia de S. Sebastião , e Joaõ Manoel de Mello , da Freguezia de N. Senhora da Candellaria (cujos territórios se haviam de dividir, para se criarem outras Parochias), aos 30 de Dezembro de 1644 pôz em pratica o projecto interinamente , em quanto requeria o Conselho , e Consenso Régio , sem o qual naõ podia subsistir a nova Parochia , à pesar da autoridade do Concilio de Trento Sess. 21 Cap. 4 : e por Alvará de 10 de Fevereiro de 1647 foi Confirmada a sua erecção.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 186)
Em 1697 a igreja é reerguida em pedra e cal.
“A pouca aptidão da Ermida ao congresso dos Parochianos moveu o Povo à levanta-la de novo com paredes de pedra e cal em espaço curto , para que concorreu a Fazenda Real, determinando pela Ordem de 5 de Dezembro de 1697 o pagamento da metade da importância da despeza da obra , e que os freguezes concorressem com outra metade.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 189)
Em 1704 o Padre Luiz Gago Machado deu maior comprimento e altura às paredes da igreja e iniciou a torre.
“Pelos anos de 1.704, em que era Vigário o Luiz Gago Maxado e foi visitada esta Paroquia pelo Ilmo. Sr. Bispo D. Francisco de S. Jerônimo, deu-se maior comprimento á esta Igreja, e altura ás suas paredes: [...]” (Araújo, 1794)
“O Vigário Luiz Gago Machado deu-lhe mais comprimento , e altura , correndo o anno de 1704, e principiou afundar a torre , [...]” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 189)
Em 1710 a comarca da vila de Santo Antônio de Sá pediu ao rei os ornamentos das quatro cores, de que necessitava para se fazerem os Ofícios Divinos.
“É bem de ver que o espaço do terreno, em que foi fundada aquela Ermida, devia ser muito curto para receber em sí o Povo, depois de erguida a Paroquia; e por esse motivo foi preciso acrescentar-se, ou fazer-se nova Igreja, á custa do mesmo Povo, como fez certo á S. Magestade a Comarca desta Vila por Carta de 2/4/1.710 [...] em que lhe pediu os ornamentos das quatro cores, de que necessitava para se fazerem com decência os Ofícios Divinos. os ornamentos das quatro cores, de que necessitava para se fazerem com decência os Ofícios Divinos.” (Araújo, 1794)
Em 1729 o padre Miguel Antônio Ascoly rebocou a igreja.
“[...] a torre , que seu Successor Miguel António Ascoly pretendeu acabar , supplicando à El-Rei uma contribuição pela Fazenda Real ; mas indeferindo-lhe á rogativa a Provisão de 13 de Maio de 1729, em que foi declarada a nenhuma obrigação de concorrer a Fazenda Real para essa obra , e só para as das Capellas Mores das Igrejas das Conquistas , mandou à penas rebocar a Igreja à custa da mesma Fazenda [...]” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 189-190)
O padre Antonio Vaz Pereira (ca. 1745) dourou o retábulo da Capela-mor.
“[...] á custa / na maior parte / do R. Vigário Antonio Vaz Pereira foi doirado o retabulo da Capela Mór, e se fizeram outras mais obras, que importaram em 4$ e tantos cruzados: [...]” (Araújo, 1794)
Em 1768 foram novamente levantadas as paredes, fez-se novo frontispício, o teto ficou forrado, e se dividiram as Sepulturas com os meios fios de pedras lavradas.
“[...] no ano de 1.768, sendo o Vigário o R. José Pereira Távora, [...] novamente foram levantadas as mesmas paredes, e fez-se novo frontespício; o této ficou forrado, e se dividiram as Sepulturas com os meios fios de pedras lavradas.” (Araújo, 1794)
“Parecendo ao Vigário Jozé Pereira Bravo mal architectada a obra da Igreja , ou porque as paredes precisassem de maior altura, ou por motivo do novo frontispicio , levantou-as no anno de 1768, e reedificou o Templo com trabalhos novos: [...]” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 190)
O padre Manoel José da Silva (1787-1793), reformou toda a Capela-mor, fazendo-a mais alta, e funda, forrou de novo o teto, fez três Altares laterais, e fundou uma torre.
“Sucedendo na Paroquia o R. Manoel José da Silva, com igual zêlo, que aquele, reformou toda a Capela Mór, fazendo-a mais alta, e funda, forrou de novo o této, fez três Altares laterais, e fundou uma torre, que agora se ia acabar á sua custa, depois do seu falecimento.” (Araújo, 1794)
“[...] seu successor Manoel José da Silva continuando a reforma-lo, deu mais espaço à Capella Mór , dilatando-lhe o fundo , e proporcionadamente a altura.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 190)
Entre 1793 e 1796, o Padre Francisco Ferreira de Azevedo, achando arruinado quase todo o madeiramento da Igreja, e aberto o frontispício todo, desde o seu cume até a soleira da porta principal, que se via arrebentada, fez meter novo madeiramento, e acautelar as ruínas, reparando também a abertura da parede em todo o frontispício, da verga, e soleira, da porta principal, que por causa da obra da torre firmada em alicerce mais profundo, que o da Igreja, e sobreposta uma das suas paredes à de um lado da Igreja, fez puxar por esta, e rebentá-la sobre a Porta Principal.
“O presente e atual Pároco, em nada inferior ao zelo, e atividade d´aqueles achando arruinado quase todo o madeiramento da Igreja, e aberto o frontespício todo, d´esde o seu cume até á soleira da porta principal, que se via arrebentada; não omitiu reparála digo, repará-la, logo que se fez cargo da Igreja; por que metendo os ombros áquela obra bastante árdua, e que puchava digo, puxava por notável despesa, ao mesmo tempo, que para ela só possuia a módica quantia de 4$480Rs.; fez meter novo madeiramento, e acautelar as ruínas, que prometia, reparando também a abertura da parede em todo o frontespício, da verga, e soleira, da porta principal, que por causa da obra da torre firmada em alicérce mais profundo, que o da Igreja, e sobreposta uma das suas paredes á de um lado da Igreja, fez puxar por esta, e rebentá-la sobre a Porta Principal. [...] O R. Francisco Ferreira de Azevedo desde o dia 6/10/1.793. [...] Por que, achando o frontespício da mesma Igreja rachado desde a soleira da porta principal até o cume da parede, e o madeiramento do seu Corpo igualmente arruinada, e com perigo notável / pois que nas Simalhas já descançava todo ele / cheio de louvável resolução, muito superior as suas forças, e as da Fabrica, meteu-os ombros á reforma de todo o material; e ajudado pelos seus Fregueses, teve a felicidade de a concluir, e pô-la em maior perfeição, muito principalmente a entrada até o plumo do côro, mudando a sua antiga forma, e a casa do Batistério, que a conserva com muito asseio.” (Araújo, 1794)
“O Vigário Francisco Ferreira de Azevedo , zeloso da perfeição , e aceio da sua Igreja , além de outras obras , reformou-lhe o madeiramento, e o frontispicio , que havia rachado com a construcçaõ da torre annexa.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 190)
            As obras foram feitas pelo povo sem ajuda do rei:
“Não consta, que S.M. haja feito consignação alguma em benefício desta Igreja; porque o povo é que a fundou, como já mostrei supra, depois que para cômodo do mesmo Povo foi preciso estender-se a 1ª Ermida, onde se criou a Paroquia: e não consta também, que em resulta do requerimento, que lhe fez a Câmara, para se lhe darem os precisos ornamentos, eles fôssem dados.” (Araújo, 1794)
            A igreja tinha sido construída em um lugar elevado, com frente para sudoeste e media de comprimento total 28m e de largura na nave 8m.
“Vê-se fundada a dita Igreja em lugar elevado, e com a sua frente, ou perspectiva para o rumo do SW, tendo de cumprimento desde a porta principal até o Arco Cruzeiro, 86 palmos [19m]; e de largura 37 [8m]: do Arco dito até o retabulo da Capela Mór, 41 palmos [9m] de comprimento: e 25 de largura [5,5m]: do retabulo dito até o fundo para o Consistorio, 27 palmos [6m] de comprimento com a largura dita.” (Araújo, 1794)
“”O comprimento d'esta Matriz he de oitenta e seis palmos , desde a porta principal , até o arco cruzeiro, e largura de trinta e sete ; do arco , ao fundo da Capella , conta sessenta e oito palmos de comprido [15m], e vinte e cinco de largo.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 190-191)
            Tinha 4 altares: 1º Altar-mor com retábulo dourado, Sacrário e imagem de Santo Antônio; 2º (Esquerda): Altar do Espírito Santo, com imagens de Nossa Senhora da Boa Morte, de Nossa Senhora do Terço, de São Francisco, e de São Domingos; 3º (Esquerda): de Nossa Senhora das Dores; 4º (Direita): do Senhor dos Passos. No lado direito, em frente ao altar de Nossa Senhora das Dores, se planejava fazer um altar para Nossa Senhora do Rosário.
“Tem 4 Altares. No 1º; que é o Maior, está o Sacrario, e a Imagem do Sto. Padroeiro: o seu retabulo é todo doirado, mas antiga a sua talha. No 2º / da parte do Evangelho / dedicado ao Espírito Santo, acham-se também as Imagens da Sra. da Boa Morte, do Terço, de S. Francisco, e S. Domingos; e está bem preparado, com retabulo novo. No 3º do mesmo lado, a Imagem de N. Sra. das Dores. No 4º da parte da Epístola, a Imagem do Senhor dos Passos: e todos eles em termos asseados. Desta mesma parte em frente ao da Senhora das Dores se diligencía fazer, ou concluir outro para a Sra. do Rosário.(Araújo, 1794)
Ornam o interior do Templo quatro Altares , com o Maior , onde se collocou o Sacrário , que perpetuamente conserva em si o Santissimo Sacramento.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 191)
O sacrário era novo e a pia batismal era de pedra e se situava num bom batistério.
“O Sacrario que é feito de novo, e todo doirado, conservava-se com asseio, e decência: a Píxide de prata doirada, estava perfeita; e os dois Relicários, que tem, igualmente em termos. A Pia Batismal, que é de pedra, e grande, estava sã: a casa do Batistério, renovada por este Pároco, e a mais asseada que achei, conserva-se segundo as determinações da Constituição e Pastoraes do Bispado. As Ambulas dos Santos Oleos são de estanho, e antigas; mais tratadas com o devido asseio, que é o de seda d´oiro com as cores encarnada, e branca, tem sofrido muito uso. O que há de Alfaias, consta do Inventário á fl. 239vª.” (Araújo, 1794)
Havia nesta Matriz 4 Irmandades:
“1ª - de Santo Antonio, que teve Compromisso no princípio da sua fundação, e não existe: depois dêsse foi feito outro, que sendo mandado para Lisboa á confirmar por S. Magtde., até agora não voltou, nem há quem o procura. Por isso considera-se sem ele: e nestes termos, não podendo eu conhecer a sua antiguidade, á juizo ter sido eréta pelo Revmo. Administrador Dr. Antonio de Marins Loureiro, que foi como disse, quem criou esta Freguesia, pelos anos de 1.644; ou pelo seu antecessor o Rmo. Dr. Mateos da Costa Aborim, que pelos anos de 1.612 facultou á ereção da Ermida, e no de 1.624 aceitou a doação de que consta a Escritura referida á princípio. Á esta Irmandade foi feito o patrimonio pelo mesmo Manoel Fernandes Ozouro, Senhor, como já disse, destas terras, e fundador da Ermida, na doação ou legado de 100 braças de terras, que cada uma compreende, pagam o foro competente, posto que limitado [...] Á Administração dos reditos deste patrimonio tem sido infeliz, ou porque tenha havido molesa na cobrança deles, ou porque na aplicação devida, seja haja feito algum desvio: o certo é; que ela nada tem do que necessita para as suas economias, a satisfação do que deve. 2ª - do SSmo. Esta, com a mais necessária nas Matrizes, foi ereta por autoridade do Rvmo. Administrador da Jurisdição Eclesiástica o Dr. Antonio de Marins Loureiro, confirmando o seu Compromisso aos 22/1/1.656, por Provisão, que para esse efeito mandou passar, á instâncias do R. Vigário, que então era, Bartolomeu Simões Pereira. Em Visita de 6/7/1.704, foi confirmada de novo áquele Compromisso pelo Ilmo. Sr. Bispo D. Francisco de S. Jeronimo, com exceção somente dos Capítulos 1º e 13º; [...]. É este Compromisso, que aparece: mas é certo, que por ordem do Exmo. Sr. Bispo. D. Fr. Antonio do Desterro em sua Visita de 1.754, fêz esta Irmandade novo Compromisso; o qual por ordem de S.M. foi remetido para Lisboa a confirmar-se, e lá existe desde o ano de 1.765 sem esperança de tornar, por incuria e indolência dos Irmãos da mesma. 3ª - da Senhora do Rosario, e S. Benedicto, que se compõe dos homens pretos. Foi eréta por autoridade do Ilmo. Sr. Bispo D. Fr. Antonio de Guadalupe em Provisão de 24/11/1.736; e o seu Compromisso foi aprovado em Provisão do mesmo Senhor datada aos 23/12/1.738, foi confirmado pela Mesa da Consciência em Provisão de 30/12/ digo, de maio de 1.769. A princípio foram separadas estas duas Irmandades; hoje estão unidos n´uma só. 4ª - da Senhora da Boa Morte, que se compõe de homens pardos. [...].(Araújo, 1794)
            A igreja não possuía bens patrimoniais:
“Bens patrimoniais não consta que tenha esta Igreja; bem que poderá ter, havendo-lhe feito Manoel Fernandes Ozouro a doação de 50 braças [110m] em quadra na frente da Ermida, cujo terreno é ocupado pela casa da Câmara, e que outras propriedades, que até agora tem pagado fóros á mesma Câmara, e á Irmandade de S. Antonio [...].(Araújo, 1794)
            A igreja tinha bons paramentos:
“Pratas: 1 Custodia para a exposição do SSmo. Sacramento. 2 Relicarios. 3 Cálices; 1 todo doirado; e 2 lisos; todos com os seus pertences. 1 Ambula para o Oleo dos Enfermos. 3 Resplendores dos Stos. Crucifixos. Imagens: 1 de S. Antonio. 1 do Espírito Santo. 1 da Senhora da Boa Morte. 1 de Sra. do Terço. 1 de S. Francisco. 1 de S. Domingos. 1 da Sra. das Dores. 1 do Senhor dos Passos. 1 da Sra. do Rosario. 4 Crucifixos. Moveis: [...] 1 Pia Batismal de pedra mármore, e 3 ditas de água benta. 3 Ambulas dos Santos Oleos, de estanho. 1 Dita para o oleo dos Enfermos. 1 Caldeirinha de estanho. 1 Arcaz de jacarandá, onde se guardam os Ornamentos. (Araújo, 1794)
            A freguesia tinha os seguintes limites:
“Divide-se esta Freguesia pelo N. com o Canta-Galos, até a distância de 10 legoas [66km], acompanhando a Serra n´um semi-círculo de modo, que a Freguesia da SSma. Trindade, ficando quase em figura d´uma Península, da mesma parte do N., vem a distar desta, pouco mais de 3 legoas [20km]. Pelo S. termina com a de N. Sra. do Desterro de Itamby, e pelo Rio chamado Casarebú, que não chega a distar desta, ¼ de legoa [1,5km]. Pelo Nascente, finaliza com a de S. João Batista de Itaborahy, pelo mesmo Rio Casarebú, que em sua subida divide estas duas Freguesias na distância de duas legoas [13km]. Pelo Poente, faz termo com a de Aguapehy-Merim na distância de 2 legoas [13km] pouco mais ou menos.” (Araújo, 1794)
Em ditancia de 10 legoas termina esta Freguezia , ao Norte, com a do Santissimo Sacramento de Cantagallo , acompanhando a Serra de Macacú em semi-circulo , dentro do qual fica , como n'uma península , a Freguesia da Santíssima Trindade , com quem se divide também pelo mesmo rumo , na longitude de pouco mais de três legoas. Finaliza com a de S. Joaõ de Itaborahy , ao Nascente , pelo Rio Cassarébú , em duas legoas; com a de Nossa Senhora do Desterro de Itamby , ao Sul , em um quarto de legoa , pelo mesmo Rio de Cassarébú ; e com a de Nossa Senhora da Ajuda de Aquápey-mirim , ao Poente , em mais , ou menos de duas legoas.” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 191-192)
            No território desta Freguesia existiam três Capelas:
“1ª - de Nossa Senhora da Gloria, [...] no Engenho do Sumidouro [...] Dista da Matriz 2 leguas [13km]. 2ª - de São José da Boa Morte [Ver postagem neste blog] sita em Aguapehy-Asú. [...] Dista da Matriz por terras 6 legoas [40km]; e pelo rio, 5 ditas [33km]. 3ª - da Senhora do Monte do Carmo, na Fazenda da Religião Carmelitana [Ver postagem neste blog]. [...] Dista da Matriz 8 legoas [53km].” (Araújo, 1794)
Tem por Filiaes as Capellas 1.a de Nossa Senhora da Gloria , fundada no sítio Sumidouro, distante duas legoas, [...] 2.a de S. Jozé da Boa Morte , [...] distante seis legoas, [...] 3.a de Nossa Senhora de Monserrate , [...] em sitio distante oito legoas [...]” (Araújo, 1820, vol. 2, pg. 192-193)
Os párocos não tinham residência própria.
[...] não tinham os mesmo Párocos casa alguma própria para a sua residência; por que aquelas, em que até agora moraram, ou foram alugadas, ou feitas a sua custa, como particulares e não como Párocos para as deixarem a seus sucessores.(Araújo, 1794)
            Com as “febres de Macacu” de 1831-1835 a vila entrou em decadência e junto a igreja. Em 1855 houve uma epidemia de cólera que aumentou a depopulação da vila, que foi abandonada e extinta em 1868. A igreja entrou em ruínas. Em 1929 ainda se via a fachada principal, o arco-cruzeiro e partes da nave e da capela-mor. Santo Antônio era comemorado a 13 de junho.
3 – Descrição:
            A igreja ficava ao sul do convento, à direita da estrada de acesso à vila. Ela tinha uma orientação quase Leste-Oeste com frente para o Oeste. A igreja possuía, outrora, na fachada anterior uma porta central e três janelas no coro; nas extremidades havia um cunhal e acima uma cimalha com frontão acima e pináculos dos 2 lados. À esquerda da nave ficava a torre sineira, única coisa que restou da igreja, com seus cunhais delimitando seus limites, alguns vãos e parte da cimalha. Alguns vãos que se apresentam são da parte interna da torre, os quais faziam ligação com a igreja. Também podem ser vistos vãos externos, como, por exemplo, as janelas sineiras, todas construídas em arco pleno, uma em cada lado da torre. A nave única terminava em um arco-cruzeiro, e, após este, uma capela-mor mais baixa e mais estreita.
4 – Visitação:
            Encontra-se em terrenos do COMPERJ e a visitação é proibida.
5 – Bibliografia:
ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Visitas Pastorais de Monsenhor Pizarro ao recôncavo do Rio de Janeiro. Arquivo da Cúria e da Mitra do Rio de Janeiro (ACMRJ), Rio de Janeiro, 1794.
ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias anexas à Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil, vol. 2. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1820.
REZNIK, L. et al. Patrimônio cultural no leste fluminense: história e memória de Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Tanguá. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.
Ver neste Blog: Vila de Santo Antônio de Sá e Convento São Boaventura

Church of Saint Anthony of Cacerebu: Brazil, State of Rio de Janeiro, Municipality of Itaboraí, Porto das Caixas. 
            The Chapel of Saint Anthony of Cacerebu or Macacu was erected ca. 1612, and, in 1644, it became a Parish church. In 1697 the church was reconstructed and was reformed in 1704, 1729 1768 and from 1793 to 1796. But, after 1829, the Village suffered a series of epidemics of infectious diseases (Macacu fevers), probably Malaria and/or Yellow Fever, with many deaths. The village became depopulated and was progressivelly abandoned, and so the church. In 1868, the semi-abandoned village lost its condition of Village.

Mapa Google Earth de Itaboraí.
Mapa Google Earth. Observe que a vila ficava em uma colina e o rio passava logo atrás dela. Ao sul a Igreja
Mapa Google Earth. Vê-se as ruínas da Igreja de Santo Antônio e do Convento
Mapa da vila feito pelo Major Rivierre, 1838. 1. Casa de Câmara e Cadeia; 2. Igreja Conventual de São Boaventura; 3. Igreja da Ordem 3ª Terceira; 4. Convento de São Boaventura; 5. Rio Macacu; 6. Igreja de Santo Antônio de Cacerebu
Reconstituição da Vila de Santo Antônio de Sá. Mesma legenda do mapa anterior.
Reconstituição da Vila de Santo Antônio de Sá feita a partir das pesquisas arqueológicas. Vê-se a reconstituição do Complexo Conventual, as fundações das casas e no canto superior esquerdo a torre da Igreja de Santo Antônio de Cacerebu
Vista aérea das ruínas da Vila de Santo Antônio de Sá, desde o norte. Vê-se em primeiro plano os fundos do convento, dele saindo a rua principal e mais ao alto na foto a torre da Igreja de Santo Antônio de Cacerebu
Vista aérea das ruínas da Vila de Santo Antônio de Sá, desde o norte, mas mais de perto que na foto anterior. Vê-se em primeiro plano os fundos do convento, dele saindo a rua principal e mais ao alto na foto a torre da Igreja de Santo Antônio de Cacerebu
Em primeiro plano a torre sineira da igreja, frente e lado esquerdo (interno)
Ao fundo o Complexo Conventual

Em primeiro plano a torre sineira da igreja, frente e lado esquerdo (interno)
Ao fundo o Complexo Conventual
Foto da Igreja por Mario Baldi, 1929. Frente e interior visto do lado esquerdo.
Nesta foto as paredes ainda não haviam ruído de todo, apenas a parede esquerda
e o telhado já não mais existiam. Vê-se claramente o Arco-cruzeiro
Torre sineira
Torre sineira
Torre sineira, lado direito (interior); ao fundo o convento