sábado, 2 de maio de 2015

BRASIL: RJ: RIO DE JANEIRO: 
Hotel Pharoux - Pharoux Hotel

1 – Localização:
         Município do Rio de Janeiro. Ap 1.0. Centro. Avenida Alfredo Agache (22.903609, -43.172576). O Hotel Pharoux ficava na Avenida Alfredo Agache, em frente do Museu da justiça.
2 – Histórico:
        Louis Dominique Pharoux, um francês de Marselha, lutou ao lado de Napoleão e depois decidiu exilar-se no Brasil, por razões políticas, e reconstruir sua vida. Após conhecer melhor o Rio de Janeiro decidiu construir um novo hotel, oferecendo serviços em nível compatível com os padrões europeus. Na verdade, o Rio de Janeiro era muito mal servido quanto a hotéis. Fora algumas exceções, as hospedagens eram pouco mais que pousadas pulguentas. Em 1816 ele fundou o hotel, inicialmente, na Rua da Quitanda, não passando de uma Hospedaria e casa de Pasto, mas em 1838, o hotel transfere-se para a Rua Fresca (depois Rua Clapp, atualmente englobada pela Avenida Alfredo Agache), esquina do Largo do Paço (Praça XV), com os fundos dando diretamente para o mar na praia de Don Manuel, e ressurge refinado, confortável, trazendo para a corte um glamour europeu.
"Mudança de Casa". “Luiz Pharoux tem a honra de participar ao respeitável público desta corte, que ele acaba de transferir a sua hospedaria da Rua da Quitanda para a Rua Fresca número 3, em frente ao mar." (O Jornal do Comércio, 12 de Fevereiro de 1838)
Não está clara a data de construção do edifício, certamente antes de 1838. Nos fundos havia um cais de desembarque, que acabou sendo conhecido como Cais Pharoux. Além de boas acomodações, o público foi imediatamente conquistado pela excelente cozinha e pelos vinhos franceses de qualidade. O Hotel Pharoux foi o primeiro hotel do Brasil "moderno", o primeiro hotel com um padrão de qualidade razoável, e o primeiro comparável ao de hotéis europeus. O hotel ficou famoso pela excelência da cozinha, pela exuberância cordial do proprietário e pela qualidade dos vinhos e bebidos; nesta época no Brasil quase só se consumia os vinhos portugueses, mas no hotel se introduziram os vinhos franceses. O hotel Pharoux tinha um requinte nada usual para os padrões da época. Ele tinha salas para jantares que comportavam mais de oitenta pessoas, com cardápio sofisticado ao gosto de Paris; o rico mobiliário e seus banhos eram um atrativo a mais. Destacavam-se os móveis franceses, os espelhos florentinos e a alvura das suas toalhas brancas.
O hotel foi usado por Dom Pedro I para encontros amorosos com Régine de Saturville, mulher do judeu Lucien de Saterville, joalheiro da Rua do Ouvidor. Acusado de contrabando, Lucien voltou para a França e deixou Régine no Rio, deixando o caminho livre para o Imperador mulherengo. Em 1839, chegava em viagem de instrução a corveta francesa L'Orientale, que funcionava como uma escola flutuante, trazendo vários professores, e, dentre eles, um padre chamado Combes. Quando estava hospedado no Pharoux, Combes fez demonstrações da recém-descoberta daguerreotipia, e tirou aquela que talvez tenha sido a primeira fotografia no Brasil, retratando o Largo do Paço e adjacências. Alguns anos depois, em 1843, se instalou no mesmo local o primeiro atelier fotográfico, iniciativa de dois ingleses, Morand e Smith. O hotel Pharoux começou a ser desativado em 1858, e depois que o proprietário Louis Dominique Pharoux voltou para a França em 1864, o prédio foi ocupado pela Casa de Saúde N. Sra. da Glória. Luiz Pharoux morre na França, em 1867, sem nunca haver conseguido plantar as arvores defronte ao hotel, indeferidas pela municipalidade. Depois virou Casa de Saúde Dr. Catta Pretta & Werneck, um dos primeiros hospitais particulares do Rio, e até sua demolição foi propriedade dos descendentes deste médico. O Hotel Pharoux tinha paredes cinzentas, mas foi modernizado, e o velho restaurante, juntamente com a cavalariça, que ocupavam o andar térreo, cederam seu lugar a vendedores de ostras e a uma casa de flores de penas, funcionando nos andares de cima o hospital particular. Após um período de abandono lá se fixou, no pavimento superior, o Hotel Real que nem de longe lembrava o luxuoso Pharoux; no andar térreo estavam situados um grande armazém de comestíveis e várias lojas de diferentes espécies. Em 1958, anunciou-se o desaparecimento do prédio, para a construção do Elevado da Perimetral e em 1959 o hotel foi efetivamente demolido.
3 – Descrição:
            O hotel tinha uma orientação geral noroeste-sudeste, com maior eixo transverso, e frente para sudeste e fundos em direção ao mar (nordeste). O hotel tinha o formato retangular e possuía 4 andares, sendo este último andar menor que os outros. No seu lado mais extenso havia 11 portas no primeiro andar; no segundo andar havia 11 portas que dava para varandas com balaustrada metálica; no terceiro andar havia 11 portas que davam para uma varanda contínua; o quarto andar só tinha 3 portas com varanda e 4 janelas. O telhado era 4 águas, com telhas. Havia clarabóias e uma pequena cúpula no teto. O lado mais estreito tinha a fachada dividida em duas seções de 3 andares com uma clarabóia no teto de cada seção. Na seção mais a externa havia no primeiro andar 3 portas em arco e no segundo e terceiro andar havia 4 portas retangulares que davam para uma varanda contínua. Na seção mais interna havia no primeiro andar 4 portas em arco e no segundo e terceiro andar havia 5 portas retangulares que davam para uma varanda contínua.
4 – Visitação:
            Impossível, foi demolido em 1959 para a construção do Viaduto da Perimetral.
5 – Bibliografia:
http://fragmentosarqueologicos.blogspot.com.br/p/historia-do-rio-de-janeiro.html
CRULS, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro. 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1965.
GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio, Rio de Janeiro: Editora Lacerda, 5ª. ed., 2000.

Pharoux Hotel: Brazil, State of Rio de Janeiro, Municipality of Rio de Janeiro, dowtown
       It was the first good hotel of Rio de Janeiro, funded in 1816, and transfered to its main location in 1838. In 1864 it was transformed in a hospital and 1959 the building was demolished.
Vista de satélite, antes da demolição do Viaduto da Perimetral. 1. Palácio da Justiça; 2. EMERJ 3. Museu Naval; 4. Igreja de São José; 5. Palácio Tiradentes (Local da antiga Casa de Câmara e Cadeia); 6. Paço Imperial; 7. Convento do Carmo; 8. Antiga Catedral Imperial; 9. Arco dos Teles; 10. Local da antiga Secretaria do Ministério da Viação e Obras; 11. Local do antigo Hotel Pharoux; 12. Estação das barcas;13. Local do antigo Mercado Municipal
Parte do mapa do Centro do Rio, P.S. Souto, 1817. Vê-se à esquerda o Morro de Santo Antônio, no centro o Morro do Castelo, à direita a Ponta do Calabouço com o Arsenal de Guerra e o Forte São Thiago. Delá saía em diagonal a extinta Rua da Misericórdia, indo até a Praça XV. Junto ao mar, vê-se, destacando-se o Hotel Pharoux.
Parte do mapa do Centro do Rio, A.M.Mc Kinney, Roberto Leeder, 1858. Vê-se no centro o Morro de Santo Antônio, à direita o Morro do Castelo, e na extrema direita a Ponta do Calabouço com o Arsenal de Guerra e o Forte São Thiago. Delá saía em diagonal a extinta Rua da Misericórdia, indo até a Praça XV (Largo do Paço). Formando o lado sudeste da praça, vê-se o Hotel Pharoux marcado com um "X"


Parte do mapa do centro do rio, João Rocha Fragoso, 1874 (mesma numeração do primeiro mapa): 2 e 3. Lugar dos futuros Museu Naval e EMERJ; 4. Igreja de São José; 5. Casa de Câmara e Cadeia (local do futuro Palácio Tiradentes); 6. Paço Imperial; 7. Convento do Carmo; 8. Antiga Catedral Imperial (ao norte a igreja da Ordem terceira); 9. Arco dos Teles; 10. Secretaria do Ministério da Viação e Obras; 11. Hotel Pharoux; 12. Local da futura Estação das barcas; Local do antigo Mercado Municipal
Parte do mapa do Centro do Rio, 1848-1906. Vê-se no centro o Morro do Castelo, e na direita a Ponta do Calabouço com o Arsenal de Guerra e o Forte São Thiago. Delá saía em diagonal a extinta Rua da Misericórdia, indo até a Praça XV. Formando o lado sudeste da praça, vê-se o Hotel Pharoux.
Parte do mapa do Centro do Rio, 1906. Vê-se no centro o Morro de Santo Antônio, à direita o Morro do Castelo, e na extrema direita a Ponta do Calabouço com o Arsenal de Guerra e o Forte São Thiago. Delá saía em diagonal a extinta Rua da Misericórdia, indo até a Praça XV (Largo do Paço). no litoral na parte sul há uma área quadrada escura, o Mercado Municipal e logo ao norte o Hotel Pharoux.
Parte de uma pintura de Adolphe Hastrel, 1841, mostrando o Hotel Pharoux
(lado NE) junto ao mar. À direita, no fundo, a antiga Catedral Imperial e a
Igreja da Ordem Terceira; à frente, o Chafariz do Mestre Valentim.
Parte de uma pintura de Abraham-Louis Buvelot, 1842, mostrando o Hotel
Pharoux (lado NE) 
junto ao mar. À direita, o Paço Imperial a antiga Catedral
Imperial e a Igreja da Ordem Terceira; à frente, o Chafariz do Mestre Valentim.
Parte de uma pintura de Daniel Parish Kidder, 1836-1842, mostrando o Hotel
Pharoux (lado NE) 
junto ao mar. À direita, o Paço Imperial a antiga Catedral Imperial
e a Igreja da
 Ordem Terceira; à frente, o Chafariz do Mestre Valentim.
Pintura de Friedrich Pustkow, 1850, mostrando à esquerda o Hotel Pharoux (lado NW) junto ao mar e à sua direita, ao fundo, a Igreja de São José. No centro o Chafariz do Mestre Valentim e na extrema direita o Paço Imperial. Ao fundo o Morro do Castelo com a Igreja de Santo Inácio.
Pintura de Friedrich Pustkow, 1850, mostrando ao fundo o Morro do Castelo com a Igreja de Santo Inácio. Em frente, à direita o Hotel Pharoux (lados NW e NE) junto ao mar e na extrema direita a Catedral Imperial. 
Hotel Pharoux (lados NW e NE), pintura de Sebastien Auguste Sisson, 1850-62
Vista do centro do alto do Morro do Castelo, Joseph Alfred Martinet, 1852. À direita a baía e a Ilha das Cobras. Junto ao mar, o hotel Pharoux, perto da Praça XV. Seguindo o litoral vê-se as duas torres da Igreja do convento de São Bento. No centro, vê-se a torre da Igreja de São José e depois a da catedral Imperial.
Vista Tomada do morro do Castelo para a Rua Direita (1º de Março), Louis Aubrun, 1854. À direita a baía e a Ilha das Cobras. Junto ao mar, o hotel Pharoux, perto da Praça XV. Seguindo o litoral vê-se as duas torres da Igreja do convento de São Bento. No centro, vê-se a a Praça XV com o Chafariz do Mestre Valentim. À esquerda, a torre da Igreja de São José e depois as da catedral Imperial.
Hotel Pharoux (lados NW e SW), Revert Henrique Klumb, c. 1870
Hotel Pharoux (lados NE), Revert Henrique Klumb, c. 1870. Observe que aqui
está o nome do Hotel Waltz
Lado sul da Praça XV, 1890, à esquerda a Estação das Barcas; no centro o
Hotel Pharoux (lado NW) e à direita, a antiga Secretaria do Ministério da
agricultura; à sua frente o coreto.
Lado sul da Praça XV, 1900, à esquerda o Hotel Pharoux (lado NW) e à direita,
a antiga Secretaria do Ministério da agricultura; à sua frente o coreto.
Região da Misericórdia, 1900. À sudoeste uma das torres e parte do Mercado 
Municipal. No centro, no mesmo alinhamento, vários edifícios, sendo o mais
esquerdo o Hotel Pharoux. Atrás há oa EMERJ, o Museu Naval e o Ministério 
da Viação (em forma de H). Atrás dele a Casa de Câmara e Cadeia e a sua
direita parte do Paço Imperial.

domingo, 26 de abril de 2015

BRASIL: RJ: SÃO GONÇALO: 
Casa da Fazenda Columbandê e Capela de Nossa Senhora de Santana -
 Columbandê Manoir and Chapel of Our Lady of Santana

1 – Localização:
1º. Distrito Colubandê. Rod. Amaral Peixoto, Km 9,5 (esquina com Rua Expedicionário Ari Rauem) (-22°50'30.80"S, - 43° 0'44.98"O)
2 – Histórico:
Parte da sesmaria doada ao colonizador Gonçalo Gonçalves, teve seu engenho vendido ao cristão novo Ramirez Duarte de Oliveira, que mudou de nome a fim de fugir da Inquisição. Esta fazenda aparece nos processos em Lisboa, como Galambade, de propriedade de Duarte Rodrigues de Andrade. Depois de sua morte, passou para a mulher, Ana do Vale, filhos e cônjuges, presos pelo Santo Ofício. Os proprietários, primos, alcunhados de Gordos, descendiam de uma família de judeus que se abrigaram em Portugal quando os Reis Católicos os expulsaram de Castela e foram convertidos à força ao tempo de D. Manoel. Originariamente, a Fazenda Colubandê era o engenho de Nossa Senhora de Monserrate, a padroeira da capela anexa. Os historiadores presumem que sua construção seria anterior ao ano de 1620. A casa grande foi construída em torno de um poço do século XVII, de acordo com a tradição judaica, e não segue um estilo padrão, pois foi sendo reformada ao gosto de cada dono. A casa-sede foi erguida ao lado da capela de Sant’Anna. Em 1713 a fazenda foi confiscada e passou por reformas em 1740. Em 1779 e 1794, ela pertencia ao capitão João Ribeiro de Magalhães.
“[Engenho de Açúcar] 13. Do alferes João Ribeiro, com 41 caixas, 25 pipas e 65 escravos.” (Paradí, 1779)
“[Engenho de Açúcar] 20ª - do Cap. João Ribeiro de Magalhães, no Culabandé, distante 1 legoa.” (Araújo, 1794)
A fazenda foi considerada uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar da região e, até o século XIX, era a maior fazenda em área de São Gonçalo. Seu último proprietário foi o Coronel Berlamino Siqueira, o Barão de São Gonçalo, cujos descendentes ali residiram até 1968. O conjunto arquitetônico da casa e fazenda foi tombado pelo IPHAN em 1940 e pelo INEPAC em 1965. Em 1969, o antigo chão de madeira foi trocado pelo atual, de tijolo de barro. A capela e a fazenda foram consideradas Lúcio Costa como o mais puro exemplo de uma mansão de arte colonial do final do século XVII e início do século XVIII. Esteve sob responsabilidade do Batalhão Florestal e de Meio Ambiente da Polícia Militar. Próximo à casa principal existe o Bosque da Saudade, construído em 2006, onde cada árvore representa um policial morto em defesa do meio ambiente. Nos fundos do terreno encontra-se uma área verde onde se podem encontrar árvores remanescentes de pau-brasil, que eram abundantes nessa região. Atualmente está abandonada e sujeita a depredações.
A capela datada de 1618, foi construída em homenagem a Nossa Senhora de Montserrate, mas, ainda no século XVII, passou a ser dedicada a Nossa Senhora de Santana. Na reforma de 1740 foram instalados nas paredes da capela-mor dois painéis de azulejos portugueses em estilo barroco-rococó: um mostra a imagem de Sant’Ana, mãe da Virgem Maria, ensinando-a a ler e outro retrata o pedido de casamento de São Joaquim e Sant’Ana, avós de Cristo. Segundo Monsenhor Pizarro, na época de sua visita (1794) era administrador João Ribeiro de Magalhães, Senhor da Fazenda. No piso da capela ficava a sepultura onde foi enterrado Antônio de Souza Rezo, o vigário da capela.
[capela] 7ª - de S. Ana / antigamente de N. Sra. do Monserrate / no Culabandé, da qual é administrador João Ribeiro de Magalhães, Senhor da Fazenda. É toda forrada de madeira, e azulejos, do Arco para cima; e conserva-se com asseio na pintura, e doirada, que lhe fez uso 1º Administrador, e fundador, mostrando não ser poupado para o asseio da Casa de Deus. Achei precisada de outra Pedra d´Ara, por estar quebrada a que havia; e de outra Imagem de Cristo, por imperfeita a que existia: em tudo ou mais achei em termos. Seus documentos não me foram apresentados, requerendo-os eu; por essa causa fiquei ignorando o tempo da sua fundação, quem foi seu fundador, e se tem patrimonio. Dista 1 legoa. [6,6km, da matriz de São Gonçalo](Araújo, 1794)
[capela] 7. a de Santa Anna, em Culabandê, cuja erecção he occulta , por lhe faltarem os titulos ; mas naõ se ignora, que ella naõ conta demasiados annos , e que na sua origem foi dedicada a N. Senhora do Monserrate.” (Araújo, 1820, vol. 3, pg. 22)
            Atualmente a capela está abandonada, assim como a Casa sede da Fazenda. Santana ou Santa Ana era a mãe de Maria e, portanto, avó de Jesus. Sua festa é comemorada em 26 de julho.
3 – Descrição:
O conjunto arquitetônico da fazenda e capela situa-se no alto de uma pequena colina de topo achatado, com vista para as redondezas, e declive mais acentuado para frente, e pendente mais suave para trás. A fazenda ocupa uma área de 28.000m2. Ele apresenta uma orientação geral norte-sul, em diagonal com as estradas, havendo, portanto, uma pequena área verde triangular à frente e uma bem maior em semicírculo atrás. O maior eixo é transversal (leste-oeste), com frente para o norte. A capela fica do lado direito, no centro há um grande pátio gramado e à esquerda fica a fazenda. Um muro rodeia o pátio central e a capela, terminando na casa da fazenda, cujas paredes anterior, esquerda e posterior, formam o resto do perímetro. Há 2 portões de entrada na frente do muro: o 1º bem em frente da entrada da capela e outro próximo do centro, dando para o pátio central.
A capela de Santana é de estilo jesuítico com características mouras na parte de cima. O telhado é em 2 águas, com capela-mor mais baixa e estreita que a nave e com torre sineira à direita. Na entrada há um alpendre, que delimita um puxadinho cercado por um muro baixo e com uma coluna grossa em cada um dos dois cantos da frente, tendo uma pequena escadinha na entrada. Na parede, embaixo do alpendre, há uma porta e duas janelas de verga reta sem sobreverga. Em cima, na altura do coro há mais duas janelas de verga reta sem sobreverga. Acima há um frontão barroco em volutas com uma cruz no topo. À direita da nave há a torre sineira, de altura de 3 andares, delimitada por cunhais e com duas janelas em arco de cada lado no alto; no alto, acima da cornija há um pináculo em cada extremidade e uma cúpula no topo. No lado direito, atrás da torre, há uma escada externa para subir com uma porta na parte posterior da torre; na capela-mor, mais estreita que a nave, há uma janela em fenda. No lado esquerdo, há uma janela de verga reta na altura da nave; na altura da capela-mor há um puxadinho que corresponde a sacristia, cuja parede e teto descem em diagonal do alto da capela-mor até a altura do muro externo, que nela termina, havendo uma porta de verga reta na frente e uma janela quadrada na lateral. Na parte traseira não há janelas nem portas.
No interior, na parede anterior da nave há a porta e as duas janelas de verga reta e, acima, o coro, também com 2 janelas de verga reta; à direita da porta há uma bacia de pedra fixa na parede. O teto da nave é abobadado e com 3 medalhões com motivos florais pintados. No lado direito a parede é lisa, mas no lado esquerdo tem há a janela retangular. O piso é de lajotas. O arco cruzeiro dá entrada para uma capela-mor mais baixa e estreita que a nave. A capela-mor tem uma porta de cada lado (a do lado direita foi emparedada) e uma janela em fenda com treliças de cada lado (a do lado esquerdo daria para a sacristia e foi emparedada por fora). Nas paredes da capela-mor há dois painéis de azulejos portugueses em estilo barroco-rococó: o da direita retrata o pedido de casamento de São Joaquim e Santana, avós de Cristo, enquanto o da esquerda mostra a imagem de Santana, mãe da Virgem Maria, ensinando-a a ler; em volta destas figuras há motivos ornamentais e abaixo há 3 anjos. O altar-mor é dourado com arcos concêntricos e duas colunas de cada lado. Não há mais imagens na capela abandonada. À esquerda da capela-mor fica a sacristia que tem uma porta à direita para a capela-mor, uma porta na parede anterior, ao lado da qual há uma pia, e à esquerda há uma janela.

O casarão fica do lado direito do terreno e seus lados anterior, direito e traseiro formam parte do perímetro em substituição ao muro. O casarão foi construído em estilo barroco no século XVIII e contava com 38 cômodos, incluindo quatro no subsolo, onde ficavam as senzalas que abrigavam os escravos. Atualmente há cerca de 16 cômodos no 2º andar, além das senzalas no 1º andar. Suas telhas de rara beleza impressionavam. Eram moldadas pelos escravos que usavam as próprias coxas. O teto tem estilo oriental, as janelas mostram influência da época de Luís XV e o entorno da varanda possui 16 colunas em estilo greco-romano, com conversadeiras entre cada coluna. A casa grande construída tem dois andares com características marcantes do período colonial. As paredes da casa grande possuem 1,5m de espessura, característica das construções do século XVII. Na parede anterior vê-se no primeiro andar 3 janelas e 2 óculos, e no segundo andar uma varanda com uma colunata de 9 colunas de fuste liso. No lado esquerdo há no 1º andar uma escada para a varanda que para este lado se prolonga com 4 colunas e, depois 7 janelas em arco abatido; no 1º andar há 2 portas e 2 janelas em fenda. No lado direito há apenas um andar, com exceção da parte mais anterior, onde há uma janela e uma porta, devido ao terreno ser mais alto. Lá a varanda se prolonga com 4 colunas e, depois, há 2 portas e 3 janelas em arco abatido; na varanda o muro se interrompe entre as colunas centrais para formar uma nova entrada a esta varanda. Na parede posterior há 6 janelas, um óculo e uma porta em arco abatido, que dá passagem à senzala do 1º andar e uma escada para o 2º andar. No centro há um grande pátio em peristilo com um poço circular central. 
4 – Visitação:
Está abandonada e qualquer um pode entrar lá, mas, por este mesmo motivo, pode ser perigoso.
5 – bibliografia:
- ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Visitas Pastorais de Monsenhor Pizarro ao recôncavo do Rio de Janeiro. Arquivo da Cúria e da Mitra do Rio de Janeiro (ACMRJ), Rio de Janeiro, 1794.
- ARAÚJO, José de Souza Azevedo Pizarro e. Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Províncias anexas à Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil, vol. 3. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1820.
- PALMIER, Luiz. São Gonçalo Cinquentenário. São Gonçalo, 1940.
Revista Pilares da História, ano I, nº1, 2002

Columbandê Manoir and Chapel of Our Lady of Santana: Brazil, State of Rio de Janeiro, Municipality of São Gonçalo, columbandê
         A chapel and manoir of a rich sugar producing unit dated to circa 1618, which was reformed in 1740. Although in a good state of presevertion, they are nowadays abandoned.

Imagem Google Earth. 
Imagem Google Earth. Detalhe

Vista desde a Casa grande. Observe a enorme vista desde o topo da colina
 (foto do autor)
Planta do complexo, mostrando a capela o pátio e o segundo andar da Casa Grande
Casa Grande e Capela de Nossa Senhora de Santana. Frente, antes de 1941
Casa Grande. Varanda, vista desde a capela, antes de 1941
Casa Grande. Varanda, antes de 1941
Casa Grande. Varanda, década de 1960
Capela de Santana. Altar-mor, antes de 1941
Foto antiga vendo-se a capela e a Casa Grande
Foto antiga vendo-se a capela e a Casa Grande, Pimentel, 1943
Foto antiga vendo-se a capela e a Casa Grande
Foto antiga vendo-se a capela e a Casa Grande, 1930
Foto antiga vendo-se a capela e a Casa Grande, 1970
Capela e Casa Grande, frente (foto do autor)
Capela e Casa Grande, frente (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente. observe o alpendre
(foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)

Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente. Embaixo do alpendre (foto do autor)
Capela, frente. Observe a torre sineira
 (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente (foto do autor)
Capela, frente. Vista desde de baixo do alpendre para o exterior (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de contorno (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de contorno (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de contorno (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de contorno e a sacristia na parte mais
 posterior (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de
 contorno à esquerda e no fundo a porta da
sacristia (foto do autor)
Capela, lado esquerdo. Observe o muro de contorno à esquerda e no fundo a porta
da 
sacristia; à direita o alpendre de entrada (foto do autor)
Capela, lado direito. Observe a torre sineira (foto do autor)
Capela, lado direito. Observe a torre sineiracom a escada aos fundos (foto do autor)
Capela, lado direito (foto do autor)
Capela, lado direito (foto do autor)
Capela, lado direito (foto do autor)
Capela, lado direito (foto do autor)
Capela, lado direito (foto do autor)
Capela, lado direito e fundos (foto do autor)
Capela, lado direito e fundos (foto do autor)
Capela, fundos (foto do autor)
Capela, interior. Nave e coro (foto do autor)
Capela, interior. Nave e coro. Observe os bancos espalhados  (foto do autor)
Capela, interior. Nave e coro. Observe os medalhões no teto (foto do autor)
Capela, interior. Nave e arco cruzeiro.
Observe os medalhões no teto  
(foto do autor)
Capela, interior. Teto. Observe os medalhões no teto
Capela, interior. Teto. Observe os medalhões no teto
Capela, interior. Parede anterior, lado direito, com pia
Capela, interior. Parede anterior lado direito
 com pia (
foto do autor)
Capela, interior. Parede anterior lado esquerdo
 com pia (
foto do autor)
Capela, interior. Parede direita (foto do autor)
Capela, interior. Parede direita (foto do autor)
Capela, interior. Parede direita e arco cruzeiro
(
foto do autor)
Capela, interior. Parede esquerda (foto do autor)
Capela, interior. Parede esquerda e arco cruzeiro (foto do autor)
Capela, interior. Parede esquerda e arco
cruzeiro (
foto do autor)
Capela, interior. Parede esquerda
(
foto do autor)
Capela, interior. Parede direita, arco cruzeira e capela-mor (foto do autor)
Capela, interior. nave, arco cruzeira e capela-mor (foto do autor)
Capela, interior. nave, arco cruzeira e capela-mor. Vista desde o coro
 (
foto do autor)
Capela, interior. Nave, parede esquerda, arco cruzeira e capela-mor. Vista
desde o coro (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor (foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor (foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado direito. Observe a porta emparedada e os
azulejos portugueses (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado direito. Observe a porta emparedada e os
azulejos portugueses (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado direito.
Observe a porta emparedada (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado direito. Observe a porta emparedada e os
azulejos portugueses (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado direito. Observe os
azulejos portugueses
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo. Observe a porta para a sacristia,
os azulejos portugueses e a janela com treliça dando para a sacristia.
 (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo.
Observe a porta para a sacristia e os azulejos
portugueses (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo. Observe a porta para a sacristia
e os azulejos portugueses (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo. Observe os azulejos portugueses
 (
foto do autor)
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo. Observe os
 azulejos portugueses
Capela, interior. Capela-mor, lado esquerdo. Observe os  azulejos portugueses
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta de imagens
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta
de imagens e a base desmontada 
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta de imagens (foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor antes do abandono da capela. Observe as imagens 
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta
de imagens 
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta
 de imagens 

(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta de imagens e a base do altar
desmontada 
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Observe a falta de imagens 
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor, parte de cima (foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Lado esquerdo 
(foto do autor)
Capela, interior. Altar-mor. Lado direito 
(foto do autor)

Capela, interior. Sacristia, parede anterior
(foto do autor)
Capela, interior. Sacristia, parede anterior (foto do autor)
Capela, interior. Sacristia, parede anterior,
pia (foto do autor)
Capela, interior. Sacristia, paredes direita e posterior (foto do autor)

Capela, interior. Sacristia, parede direita (foto do autor)
Casa Grande, face anterior (foto do autor)
Casa Grande, face anterior (foto do autor)
Casa Grande, face anterior (foto do autor)
Casa Grande, face anterior (foto do autor)
Casa Grande, face anterior (foto do autor)
Casa Grande, face anterior. Varanda (foto do autor)
Casa Grande, face anterior. Varanda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, vista desde a
torre da capela 
(foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, vista desde a
torre da capela 
(foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, vista desde a torre da capela (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda. Observe a escada para a varanda (foto do autor)
Capela, fundos e Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Capela, fundos e Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Capela, fundos e Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, varanda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, varanda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda, varanda (foto do autor)
Casa Grande, face direita, 1o. andar
 
(foto do autor)
Casa Grande, face direita, 1o. andar
 
(foto do autor)
Casa Grande, face direita, Observe que só há 1 andar, devido ao desnível do
terreno 
(foto do autor)
Casa Grande, face direita, varanda com entrada (foto do autor)
Casa Grande, face direita, varanda (foto do autor)
Casa Grande, face direita, varanda (foto do autor)
Casa Grande, face direita (foto do autor)
Casa Grande, face direita (foto do autor)
Casa Grande, face direita (foto do autor)
Casa Grande, face direita (foto do autor)

Casa Grande, fundos e face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, fundos e face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda. observe a porta para a senzala (foto do autor)
Casa Grande, face esquerda. observe a porta para a senzala (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Salão central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Salão central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Salão central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Salão central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Cômodo (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pórtico do pátio interior
 (
foto do autor)
Casa Grande, interior. Pórtico do pátio interior (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pórtico do pátio interior (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Pátio interior. Observe o poço central (foto do autor)
Casa Grande, interior. Escada para a parte de
trás com acesso às senzalas (
foto do autor)
Casa Grande, interior. Vista do alto da
Escada para a parte de trás (
foto do autor)
Casa Grande, interior. Senzalas (foto do autor)
Casa Grande, interior. Senzalas (foto do autor)
Casa Grande, interior. Senzalas (foto do autor)